A cultura da aceitação.

23 04 2009

Olá pessoal.

Sei que é um assunto polêmico para os ocidentais, pois nos países de cultura cristã, o homossexualismo é considerado pecado, e não é raro encontrar pessoas com uma visão totalmente preconceituosa sobre o assunto. Creio que isso se deve principalmente a educação cristã em si, pois nos países do oriente, a visão é bem diferente.

Em vários países da ásia, encontramos culturas que aceitam o homossexualismo como algo normal, sem aquela imagem ligada a promiscuidade e a prostituição, que é tão comum na cultura ocidental, e o Japão não é excessão, devido a uma cultura com valores bem diferentes dos ocidentais, percebi uma abordagem totalmente diferente do assunto.

Há muito tempo, vê-se na TV do Japão, artistas que são abertamente homossexuais, na grande maioria homens que assumiram a identidade do sexo oposto, e vez ou outra aparecem outros que são afeminados e tem uma grande popularidade como cantores ou atores, e isso é mostrado sem nenhuma conotação pejorativa, inclusive eles próprios brincam com o fato.

Quando vim ao Japão, sinceramente, na visão estreita das que tinha na época, isso me pareceu um tanto estranho, não que tenha algum preconceito quanto as escolhas de cada um, pois acho que cada um escolhe o caminho que lhe parece melhor, e ninguém tem o direito de dizer o que é certo ou o que é errado. Mas quando se cresce escutando que ser homossexual é uma aberração, que é pecado, que deus e a igreja condenam, acaba-se ficando condicionado a essa idéia, mas ainda bem que tive a oporunidade de conhecer outra cultura com outros valores que me ajudaram a ver tudo de um ponto de vista diferente.

Aqui no Japão, o fato de ser homossexual é uma coisa tão normal que nem crianças nem velhos tem preconceitos acerca disso, é assim e pronto. Como sou curioso e gosto de saber o porque das coisas, procurei saber o porque disso, e me deparei com uma cultura milenar de aceitação do homossexualismo.

Acho que o relato mais comum que encontrei, foram os relatos da época da guerra dos clãs(1493-1573), quando os guerreiros partiam para a guerra, era permitido apenas aos homens acompanhar os batalhões, e sendo assim, os chefes dos clãs sem mulheres para distraí-lo, chamavam os jovens de seu batalhão para beber e se divertir junto com eles.

Outra coisa bastante comum a séculos, são as companhias de teatro, no passado existiam várias delas que viajavam todo o Japão apresentando peças teatrais nas cidades e pequenos povoados, e ainda hoje, o formato das companhias e das peças perdura com poucas modificações, e é muito comum nessas peças que os homens assumam papéis femininos, os atores desde pequenos se maquilam e dançam no papel de mulheres, incorporando perfeitamente o papel feminino.

O contrário também é válido, existe no Japão uma compahia de teatro e dança chamado “Takarazuka Gekidan”, que é uma companhia formada exclusivamente de mulheres, e os papéis masculinos também são todos representados por mulheres, e é um sucesso absoluto, com um público fiel em todo o Japão.

Outra coisa bastante comum são os pubs de travestis, que não são exatamente como os ocidentais estão acostumados a ver, mas apenas lugares onde se vai para beber e conversar, pois os homens muitas vezes gostam da visão que os homossexuais tem da vida, que é uma visão híbrida, nem masculina nem feminina das coisas, e isso ajuda a tirar um pouco do estresse do dia a dia, pois é bom ser compreendido por alguém que conhece os dois lados da moeda.

Mas juntando tudo em um cenário só, eu diria que o Japão é um país sem preconceitos quanto ao homossexualismo, é mais uma prova de que a cultura e a história de um país, pode mudar totalmente o modo de ver de um povo, provando que o preconceito existe nos olhos de quem vê.

É só por enquanto pessoal, um abraço.





O valor da vida.

14 04 2009

Olá pessoal, gostaria de mostrar um pouco da face oculta do Japão, coisas que geralmente poucos falam, mas que está presente no dia a dia do Japão.

O Japão é um país único, culturalmente falando, alguém vindo de um país ocidental, muitas vezes não entende o modo de pensar desse povo.

Umas das coisas que mais me chocaram aqui, foi o valor dado à vida, não são raros os casos de suicídio aqui no Japão, há casos grotescos em que os pais matam os filhos e depois se suicidam, e outros em que os filhos matam os pais e depois se matam, existem casos e casos, a taxa de suicídios é a maior entre os países desenvolvidos, com uma média de 25 por cada 100 mil habitantes, parece pouco, mas se comparado ao Brasil, com uma média de 5 por cada 100 mil, é um número assustador. E vendo-se que a maioria dos suicidas são jovens ainda em idade escolar, podemos ver o grande problema social que existe por trás dos números.

Uma vez conversando entre amigos, ouvi a frase, “japonês é um bicho besta, morre por qualquer coisa, no Brasil não é assim”, pensei um pouco sobre isso e dei minha opinião sobre “japonês ser um bicho besta, e brasileiro não”, argumentei que o suicído no Japão não é considerado pecado, pois pecado é um conceito incutido pela cultura cristã, desde pequenos ouvimos que suicídio é pecado, que os suicidas vão para o inferno e coisa e tal, e isso acaba por moldar uma visão de medo em relação ao assunto. Mas o Japão é um país budista, que prega a reencarnação, na cabeça deles, morreu, é só voltar e começar tudo de novo.

Desde o tempo dos samurais, o suicídio era considerado uma solução em casos extremos, o “seppuku”, que os ocidentais conhecem também como “harakiri”, foi amplamente usado como modo de limpar a honra. Vemos na história que foi uma prática normal entre os japoneses de antigamente. O que acabou criando uma imagem dramática e romântica em torno desse ato.

É chocante constatar a falta de valor dado à vida aqui no Japão, o pensamento de que morrer acaba com todos os problemas, mas aos poucos, parece que o pensamento dos japoneses está mudando. A algum tempo atrás, vi uma reportagem na TV japonesa sobre um senhor que tinha um câncer pulmonar maligno, com apenas dois meses de expectativa de vida. Com o pouco de tempo de vida que lhe restava, ele tomou uma atitude digna de elogio, este senhor passou seus últimos dias viajando pelo Japão, dando palestras em escolas, falando sobre sua experiência de vida, sobre como tudo se torna fútil, dinheiro, posses, quando o fim se torna iminente.

Ele contava que tudo o que ele ganhou e construiu durante a vida não lhe valiam nada, o que valia mesmo era o amor de sua família e amigos, coisa que aqueles que se suicidam, não dão valor nenhum, e terminava dizendo:

“E para todos aqueles, que acham que a vida não vale nada, que é melhor morrer porque não estão contentes com sua vida atual, eu quero esse tempo de vida de vocês, se possível fosse, queria essa vida para mim. Agora que me restam apenas poucos dias, gostaria de poder fazer muito mais, de poder fazer aquilo que não enxergava antes. Por isso agora eu digo, não desperdicem suas vidas por motivos fúteis, há uma vida inteira esperando por vocês lá fora, há tantas pessoas que se pudessem levariam a vida que vocês estão levando hoje, mas estão condenados a morrer em pouco tempo. Vivam, pois a mais maravilhosa das dádivas é a vida. “

É difícil para nós entendermos o que se passa na cabeça de alguém que se mata, mas a cultura tem um papel muito grande neste tipo de pensamento aqui no Japão, a competição acirrada de uma sociedade que não perdoa a falha, a cobrança de se entrar em uma boa escola, em uma faculdade conceituada, de se encontrar emprego em uma grande empresa, as pessoas são massacradas pelas cobranças da sociedade, e a solução no final, é simplesmente morrer. Mas o governo e outras organizações não ficam parados olhando tudo isso acontecer, existe um trabalho muito grande, que tenta ajudar as pessoas, e principalmente os jovens, com aconselhamento psicológico e um trabalho social no sentido de acabar com o grande número de suicídios existente no Japão.

A curto prazo não vejo uma solução para este problema, mas espero que as coisas mudem e que os japoneses dêem mais valor à suas próprias vidas.

Qualquer opinião, deixem um comentário.

Até outra pessoal.





A diferença nossa de cada dia.

7 04 2009

Olá pessoal.

Hoje andei pensando novamente sobre as diferenças entre brasileiros e japoneses aqui no Japão. Porque gostar ou desgostar uns dos outros?

Há aqueles que gostam daqui, por causa do dinheiro, da segurança, da estabilidade e tudo o mais que existe de bom nessa terra.

E há aqueles que não gostam daqui, por causa da cultura, da língua, das pessoas, e tudo o mais que possa tornar a vida aqui mais difícil.

Acredito que todos aqueles que não gostam daqui, sejam aqueles com problemas de adaptação, conheci muitos deles, uns diziam ficarem nervosos por não entenderem o que os japoneses diziam, outros achavam os japoneses muito “bobos”, ficavam sempre rindo de piadas sem graça e brincadeiras infantis, outros se achavam segregados pelos japoneses, diziam que por serem brasileiros, eram tratados de maneira diferente.

Todas as reclamações tem seu fundo de verdade, mas se forem vistos de um outro ponto de vista, mostra a falta de conhecimento e a falta de habilidade em se lidar com uma cultura diferente.

Sobre os japoneses parecerem bobos, por um certo lado concordo, mas acho que isso se deve a cultura do pós-guerra, não existe tensão, nem uma vida “dura” o suficiente para que sejam “espertos” como os brasileiros, por causa disso, acho que não existe a malícia acentuada de um brasileiro, acostumado a sempre supor que o próximo pode lhe sacanear.

O humor japonês e as piadas, são outra coisa que os brasileiros não entendem, o senso de humor japonês é totalmente diferente do nosso, assim os japoneses não entendem nossas piadas, assim como eu não entendo as piadas dos americanos, cada povo tem uma maneira própria de entender as coisas, sendo assim não há como se entrar em um consenso, a não ser que se conheça a cultura e a língua uns dos outros.

Os japoneses não entendem a graça de uma piada de portugues e brasileiros não entendem aqueles dois comediantes que falam rápido pra caramba e ficam batendo na cabeça um do outro, mas fazer o que, é a cultura de cada povo e fica difícil explicar tanto para o japonês como para o brasileiro, só tendo um bom conhecimento da língua e dos costumes é que se pode entender o porque de tantas risadas dos dois lados.

E finalmente existe a reclamação da discriminação que muitos “pensam” sofrer, eu digo “pensam” porque na grande maioria das vezes é só uma impressão causada pela maneira de agir dos japoneses ou pela maneira de falar, mas vendo “de fora”, como um observador, muitas vezes a maneira como os brasileiros falam com os japoneses, é um palavreado seco, pela falta de conhecimento do idioma, e desrespeitosamente intimista para os costumes japoneses, que são um povo muito reservado, o que no final acaba causando um distanciamento pela estranheza da cultura e dos costumes do brasileiro, que dá a impressão de que os japoneses não gostam de brasileiros ou não querem conversar conosco.

Mas apesar de todas as diferenças e dificuldades, conheci pessoas que se adaptaram muito bem ao Japão, assim como os japoneses que foram ao Brasil também se adaptaram, e assim continuamos nosso intercâmbio.

É isso aí pessoal, até a próxima.

Um abraço.





O país do descartável.

27 03 2009
lixo

"Montanha de lixo"

Olá pessoal.

Lembro-me de um amigo meu dizendo a frase, “Os japoneses são um povo perdulário.”. Na época nem tinha me dado conta da verdade contida nessa frase, pois aos meus olhos de refugiado econômico do terceiro mundo, o Japão se mostrava um lugar de abundância. Mas passada a fase de deslumbramento comecei a entender o sentido dessa frase.

Quando cheguei aqui costumávamos ver nas ruas, nos dias de lixo de grande porte, “montanhas” de lixo, que antes da lei de reciclagem, eram colocados na rua, em um lugar próprio para recolhimento. E nessas “montanhas” de lixo, na maioria produtos eletrônicos, que ocupavam metade da rua, encontrávamos de tudo desde aparelhos de vídeo até geladeiras e máquinas de lavar. Não que os aparelhos estivessem com defeito e eram jogados fora, mas simplesmente porque o dono comprava um novo e não tendo espaço em sua casa, simplesmente jogava fora o aparelho “velho”.

Isso soa absurdo? Claro que sim, é uma coisa sem cabimento, jogar uma TV ou um aparelho de som depois de 2 ou 3 anos de uso. Várias pessoas que conheci já recolheram coisas no “lixo”, que eram perfeitamente funcionais ainda, televisores, geladeiras, aparelhos de som, aparelhos de vídeo, máquinas de lavar, aspiradores, forno microondas, móveis, bicicletas, e por aí vai, com um pouco de “garimpagem” nas “montanhas”, mobiliava-se uma casa inteira.

O Japão a algum tempo atrás sofria da grande doença do capitalismo chamada, consumismo desenfreado, não se consertava nada, não se dava valor à nada, era mais fácil comprar um novo e os problemas eram resolvidos. Hoje em dia as coisas se acalmaram, a lei de reciclagem começou a taxar o lixo eletrônico e as pessoas começaram a pensar mais na hora de trocar, mas a mentalidade do “descartável” está enraizada na sociedade japonesa moderna, hoje em uma escala menor, mas ainda se joga fora as coisas que não são mais interessantes.

A alguns anos, lembro-me de um comercial de TV, veiculado pelo governo, que dizia, “Quando nós japoneses deixamos de consertar e começamos a jogar fora? Pense nisso.”, que era uma tentativa de conscientizar as pessoas do absurdo do consumismo, que estava criando um problema ambiental de toneladas de lixo todos os dias, e o Japão, com uma área territorial pequena, já não tinha como processar uma quantidade tão grande de lixo.

É uma pena que este tipo de mentalidade tenha tomado conta do Japão, pois antigamente existia a idéia, vinda do budismo, de que os objetos também tem uma alma, como os seres humanos, e é preciso respeitar essa “alma” e usar os objetos com zelo e gratidão, pois eles estão a nosso serviço.

Ainda hoje o mundo moderno seduz os japoneses para consumir mais e mais, mas graças a longa recessão e a tendência ecológica dos dias atuais, os japoneses, me parece, estão aos poucos voltando a entender o verdadeiro valor das coisas, as lojas de usados tem se multiplicado e as pessoas estão aprendendo que reciclar, significa também, utilizar novamente o mesmo objeto.

Mas quem sabe no futuro, todos voltem a usar as coisas com um sentimento maior de gratidão, e a palavra “Mottainai”, que significa desperdício em japonês, volte a ter o significado que tinha antigamente.

É isso aí pessoal, por hoje é só.

Um abraço.





Nossa língua portuguesa?

26 03 2009

Pergunta

Depois de muito tempo aqui no Japão, começo a sentir muita falta da língua portuguesa, não aquela falada hoje pelos brasileiros que estão aqui, mas aquela que me lembro, ouvida no dia-a-dia lá no Brasil, aquela língua cheia de variações e nuances que era diferente para cada pessoa que conversava, desde o engraxate até o gerente do banco.

Aqui tenho visto uma constante diminuição do vocabulário das pessoas. O fato de se conviver em um ambiente de poucas pessoas, brasileiros eu quero dizer, e o fato também de se falar sempre sobre os mesmos assuntos dentro das fábricas, mais a falta do hábito da leitura, vai tornando o vocabulário das pessoas um tanto limitado.

Todas estas coisas juntas vão aos poucos minando o vocabulário já um tanto pobre, tornando-o limitado ao ponto de não se conseguir lembrar de palavras corriqueiras usadas no dia-a-dia, mais de uma vez em conversas entre amigos ouvi a frase, “como é que se falava isso em português mesmo?”, ou então as pessoas sem se dar conta, acabam misturando palavras da língua japonesa no meio de frases, para tapar os buracos causados pelo esquecimento dos termos em português.

Mas apesar de tudo defendo a idéia de que é necessário um auto-policiamento forte, para não se cair na armadilha de misturar os dois idiomas, pois automaticamente nos expressamos da maneira que o meio se expressa, ou seja se todos falam errado, ou com um vocabulário muito restrito, acabamos por nos deixar contaminar também. Claro que isso é um efeito da mescla de culturas e chega a ser inevitável, mas na medida do possível gostaria que brasileiros praticassem ao menos falar o português e se orgulhassem de nossa língua que é tão rica e melodiosa.

Apesar de tudo posso estar vendo o nascimento de um novo dialeto derivado da mistura do japonês e do português. Infelizmente essa pode ser a realidade vivida por nós, perdidos aqui do outro lado do mundo.

Por hoje é só, qualquer opinião, deixe um comentário.

Um abraço.





O choque de culturas.

15 03 2009

Olá pessoal, vou continuar falando sobre as diferenças culturais.

Nas fábricas aqui no Japão, tive a oportunidade ver muitos casos de mal-entendidos devido as diferenças entre o modo de pensar dos japoneses e brasileiros.

O brasileiro tem o hábito devido a cultura, de pensar por si mesmo e ir dando um jeito em tudo, enquanto os japoneses geralmente esperam uma ordem para se moverem, e isso muitas vezes faz com que os brasileiros sejam vistos como indisciplinados, algumas vezes por não entenderem uma ordem direito e logo partirem para a ação e fazerem errado, outras vezes por acharem que isto ou aquilo não está bom e tentarem arrumar do seu jeito. Isso muitas vezes não é aceito pelos chefes, pois na cabeça dos japoneses, é necessário cumprir uma norma não dita, na qual quem manda é seu superior e é necessário passar pelas fases de comunicar, explicar, receber a autorização e só depois partir para a execução.

O interessante é que mesmo o resultado sendo positivo, os chefes costumam dizer que precisam ser avisados em primeiro lugar. Aí é que vejo a diferença entre as culturas, o brasileiro tem por cultura uma atitude mais complacente com as coisas, tanto no trabalho como na vida. Em contrapartida, os japoneses por cultura são um povo que se organiza coletivamente para tudo, por isso há sempre a necessidade da hierarquia, de um líder, e é sempre bem demarcada a linha entre líderes e liderados.

Já ouvi comentários de brasileiros como “porque tenho que obedecer um cara mais burro que eu?” ou “que cara mais burro, não sei como chegou a chefe.”, comentários típicos de vários brasileiros que conheci.

Por outro lado também já ouvi desabafos dos chefes como “porque ele nunca escuta o que falo?” ou “porque tenho que repetir sempre a mesma coisa?”

Nós os brasileiros não temos disciplina ou os japoneses não tem tolerância?

Acho que nenhum dos dois, o que existe é a falta de conhecimento e compreensão mútuas, e também os dois lados costumam generalizar a maneira de se verem. Tanto aqui no Japão como no Brasil existem hábitos e regras que devem ser seguidas para uma convivência pacífica.

Praticamente a história da comunidade brasileira no Japão ainda é muito recente e acho que ainda há muito a ser feito para que possamos, japoneses e brasileiros, nos entender.

É isso aí, um abraço pessoal.





A falta de preparo.

22 02 2009

gaikoTenho conversado com várias pessoas sobre a situação atual do Japão, e tenho sentido que muitos tem encontrado dificuldade para encontrar emprego devido à falta de domínio da língua. Não estou falando de ler e escrever, pois isso é quase impraticável devido à falta de tempo e também pela quantidade de caracteres da língua japonesa, que torna o aprendizado muito difícil, me refiro apenas a linguagem falada, aquela que usamos no dia-a-dia.

Uma coisa que sempre tive dificuldade para entender, é que morando mais de dez anos nesse país, uma pessoa não consiga dominar nem 50% da linguagem falada. Não sei os motivos, se é por dificuldade de aprender ou por preguiça mesmo, mas aprender a falar é o mínimo necessário para se viver em qualquer lugar, a comunicação é a base de tudo, sem ela não se consegue nada, e nem sempre se pode contar com um intérprete para ajudar.

Mas uma parte dos brasileiros infelizmente não pensa da mesma maneira, já ouvi opiniões como “pra que vou aprender japonês se vou voltar ao Brasil?”, é uma triste realidade, a imperícia de se lidar com uma cultura totalmente diferente da nossa, pode levar à mal-entendidos que prejudicam a imagem da comunidade brasileira como um todo, o gesto de alguns torna-se o gesto de todos aos olhos dos japoneses, por isso a adaptação à lingua e à cultura, hoje são coisas que podem fazer a diferença entre estar empregado ou não.

Fica difícil de se encontrar um emprego se não consegue compreender o que o empregador está falando, a imagem fica totalmente prejudicada, e do lado do empregador, como confiar em uma pessoa que não entende o que ele fala? essa pessoa vai conseguir realizar o trabalho que lhe for designado? São perguntas que me ocorrem quando penso sobre o assunto.

Aqui onde moro tenho visto várias reportagens na TV sobre os brasileiros começando a aprender japonês, numa tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho, um gesto  louvável, mas os frutos desse esforço demoram um pouco para aparecer, e nem todos tem esse tempo para esperar.

Espero que com tudo isso que estamos passando possa ser um incentivo para todos nós brasileiros conseguirmos uma melhor adaptação ao Japão, e se todos tomarem consciência de que é necessário no mínimo aprender a falar a língua da terra em que se vive agora, isso irá melhorar muito nossa imagem como um todo perante os japoneses.








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