A crise no Japão.

21 12 2008

0108mer

 

Está chegando o final de ano, e o ano de 2008 não acaba bem, a crise mundial chegou com uma força tão grande aqui nas terras nipônicas que a coisa está ficando insustentável. O pior de tudo é que não há previsão de melhora a curto prazo, aqueles que ainda tem um emprego, estão sem saber se amanhã serão cortados ou não, até tentamos ser otimistas, esperar o melhor no próximo ano, mas confesso que não partilho desse mesmo otimismo.

Para nós brasileiros tem sido difícil, pois somos sempre os primeiros a serem cortados quando uma crise se aproxima, mas agora no atual estado das coisas, parece que não há diferença entre brasileiros e japoneses, tão grande é a crise, as empresas precisam cortar custos de qualquer maneira, e estão diminuindo seu quadro de funcionários de maneira agressiva, quase sem distinção.

Aqueles que podem estão indo embora, para voltarem quando a coisa melhorar, aqueles que não podem, vivem agora com medo, aquela incerteza sobre o futuro, pois não se enxerga nem um mês à frente. Àqueles que imaginam que ganhamos muito por aqui, não se enganem, alguns meses sem trabalho aqui nessa terra, acaba com as economias de qualquer um, haja dinheiro para se viver aqui onde tudo custa os olhos da cara.

Agora nessa época de crise é que começo a perceber as coisas que fazem diferença aos olhos das fábricas, os pequenos erros que se cometeu, a falta de compreensão da língua, aquela discussão com o chefe, todas as pequenas coisas que agora podem ser a diferença entre estar empregado ou não.

Mas como ninguém pode prever o futuro, só nos falta esperar que a situação melhore o quanto antes, e desejar sorte àqueles que ainda estão por aqui.

Boa sorte à todos nós e que 2009 seja melhor.

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O japão que eu vejo.

19 12 2008

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O japão que eu vejo é diferente do japão que muitos veem, acho que deve ser por minha criação, pois cresci com meus avós japoneses e logicamente a educação que recebi em parte veio deles.

Hoje, aqui na terra dos meus antepassados vejo que muita coisa mudou, muito daquilo que me foi ensinado sobre essa terra, já não se aplica mais, mas na essência, não difere muito daquilo que eu via em meus avós, o japão continua sendo um país que mais vale, não aquilo que você é, mas aquilo que aparenta ser, é um país de regras não ditas e de uma hipocrisia sem fim.

Muitas coisas não ditas são regras, que devem ser seguidas a risca, ou então você é taxado como uma pessoa sem modos, isso vale muito para pessoas como eu que tem um nome japonês e as feições nipônicas, na cabeça dos japoneses fica difícil aceitar que alguém tão parecido com eles não aja da mesma forma. Um estrangeiro que tenha cara de estrangeiro mesmo, é melhor compreendido que um descendente, isso é triste mas é uma realidade, os japoneses discriminam seus descendentes de maneira cruel.

Não que isso faça muita diferença, pois creio que isso existe em qualquer sociedade homogênea, mas para um brasileiro como eu, fica difícil entender certas coisas aqui na terra do sol nascente.