Encontros e Desencontros.

28 02 2009
Pessoas que perderam emprego e moradia.

Pessoas que perderam emprego e moradia.

Nos últimos posts tenho escrito muito sobre a crise econômica e desemprego, isso pode até parecer meio vago para aqueles que não vivem aqui, mas para nós que moramos no Japão as coisas são mais duras do que parecem.

Com o emprego perdemos grande parte das referências que formam nossa vida social, por exemplo as pessoas com quem estávamos acostumados a conviver, tanto no trabalho como fora dele, pois nossos amigos também se vão em busca de novos empregos. E isso acarreta uma série de transtornos não só ao trabalhador mas para toda sua família, principalmente os filhos que são obrigados a mudar de escola e deixar seus amigos e professores, tudo em prol da sobrevivência, pois sem emprego = sem dinheiro = sem vida estável.  Digo isso porque muitas vezes por não conseguir um emprego na mesma região, os brasileiros são obrigados a procurar em outras províncias, acarretando mais custos com mudança, aluguel de uma casa, fora a burocracia, ter que mudar de telefone, transferir os endereços, registro na prefeitura, e outras coisas mais.

Embora existam pessoas que gostem de conhecer lugares novos e parecem não se importar em ter que mudar(logicamente são na maioria solteiros), a grande maioria quer estabilidade mesmo, nada de ficar pulando de galho em galho sem um rumo certo na vida, mas as vezes é inevitável, você é simplemente obrigado a mudar.

Mas o grande estresse que senti são as fases, ser demitido, procurar um novo emprego e mudar-se, o que há de comum entre essas fases, é a incerteza sobre o futuro, é a pior coisa que existe, depois de passadas essas fases, adaptar-se ao novo ambiente nem é tão difícil, depois de tudo encaminhado acaba-se dando um jeito em tudo.

Infelizmente tudo o que relatei nesse post é algo que está acontecendo hoje, há os que se vão, e há os que ficam, mas sempre tem aquela pontada de tristeza pois somos seres sedentários e sociáveis por natureza, o que nos faz sentir pelo menos um pouco mais humanos e não simples máquinas de produção descartáveis.

Adeus.

Adeus.

Àqueles que se vão, boa sorte, e àqueles que ficam também boa sorte, como o mundo hoje é globalizado, graças a internet, quem sabe nos encontremos por aí um dia nos servidores da vida.

Por hoje é só, se tiver algum comentário, por favor, a palavra é sua.

Um abraço.





A falta de preparo.

22 02 2009

gaikoTenho conversado com várias pessoas sobre a situação atual do Japão, e tenho sentido que muitos tem encontrado dificuldade para encontrar emprego devido à falta de domínio da língua. Não estou falando de ler e escrever, pois isso é quase impraticável devido à falta de tempo e também pela quantidade de caracteres da língua japonesa, que torna o aprendizado muito difícil, me refiro apenas a linguagem falada, aquela que usamos no dia-a-dia.

Uma coisa que sempre tive dificuldade para entender, é que morando mais de dez anos nesse país, uma pessoa não consiga dominar nem 50% da linguagem falada. Não sei os motivos, se é por dificuldade de aprender ou por preguiça mesmo, mas aprender a falar é o mínimo necessário para se viver em qualquer lugar, a comunicação é a base de tudo, sem ela não se consegue nada, e nem sempre se pode contar com um intérprete para ajudar.

Mas uma parte dos brasileiros infelizmente não pensa da mesma maneira, já ouvi opiniões como “pra que vou aprender japonês se vou voltar ao Brasil?”, é uma triste realidade, a imperícia de se lidar com uma cultura totalmente diferente da nossa, pode levar à mal-entendidos que prejudicam a imagem da comunidade brasileira como um todo, o gesto de alguns torna-se o gesto de todos aos olhos dos japoneses, por isso a adaptação à lingua e à cultura, hoje são coisas que podem fazer a diferença entre estar empregado ou não.

Fica difícil de se encontrar um emprego se não consegue compreender o que o empregador está falando, a imagem fica totalmente prejudicada, e do lado do empregador, como confiar em uma pessoa que não entende o que ele fala? essa pessoa vai conseguir realizar o trabalho que lhe for designado? São perguntas que me ocorrem quando penso sobre o assunto.

Aqui onde moro tenho visto várias reportagens na TV sobre os brasileiros começando a aprender japonês, numa tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho, um gesto  louvável, mas os frutos desse esforço demoram um pouco para aparecer, e nem todos tem esse tempo para esperar.

Espero que com tudo isso que estamos passando possa ser um incentivo para todos nós brasileiros conseguirmos uma melhor adaptação ao Japão, e se todos tomarem consciência de que é necessário no mínimo aprender a falar a língua da terra em que se vive agora, isso irá melhorar muito nossa imagem como um todo perante os japoneses.





Quando o Japão vai se reerguer?

14 02 2009

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Tenho visto muitos acessos nesse blog em busca de informações acerca da situação econômica do Japão, e também sobre as previsões de melhora da economia do país, e vejo que isso reflete a grande preocupação de todos sobre a atual situação do Japão.

Sinceramente falando, não sou nenhum especialista em economia, apenas escrevo minhas impressões, e aquilo que vivo no meu dia-a-dia. Vou tentar aqui resumir as informações que tenho tido acesso via internet, televisão e das conversas que tenho com os japoneses.

Para começar, sobre a situação atual, todos devem ter visto os vários anúncios de demissões e anúncios de prejuízos feitos por grandes empresas, não querendo ser pessimista, tudo indica que a coisa ainda tende a piorar, o Japão ainda não chegou ao fundo do poço, o ano fiscal que termina no próximo mês de março, já indica, segundo os especialistas, o anúncio de grandes prejuízos por parte das empresas em todo o país, e uma série de pedidos de falência também, e para piorar ainda mais, há a previsão de demissões em massa com o fim do contrato dos trabalhadores temporários, que termina junto com o ano fiscal.

Quanto as previsões de melhora da crise, as expectativas são bem conservadoras, segundo informações de várias fontes, há uma tendência de melhora daqui a 6 meses, mas não vai ser uma melhora significativa segundo os especialistas, será mais uma amenizada na queda livre que se encontra o Japão, a partir daí é que aos poucos começa a recuperação da economia, mas na melhor das expectativas, vai levar de 3 a 4 anos para se voltar ao patamar de 2007/2008, a preocupação no momento é se haverá fôlego para uma recuperação.

Outro grande problema apontado por todos, é o governo japonês, enquanto o mundo todo está trabalhando para sair da crise, eles perdem tempo com brigas internas entre os partidos, não se vê nenhuma medida concreta para amenizar a crise, falam muito nas próximas eleições, na tomada do poder pelo partido de oposição, e outras coisas que não indicam nenhuma providência para se combater a crise.

A conclusão que cheguei é simples, é ter paciência, não existe a bala de prata que vai acabar com a crise, vai levar um bom tempo para ela passar, e depende também de muito esforço de todos.

Acho que é isso aí, deixem um comentário se quiserem, até outra.





A dura realidade.

11 02 2009

Durante essa semana, eu e vários outros amigos meus temos procurado por um emprego, finalmente depois de cumprido o período de aviso prévio, sentimos que estávamos em uma situação delicada.

Depois de vários anos trabalhando no mesmo emprego, fica aquela sensação de deslocamento, uma dificuldade de se adaptar à mudança brusca, tive a sensação que quando começasse a semana, eu iria normalmente acordar e ir trabalhar, mas depois de passado algum tempo,voltei à realidade.

A maior dificuldade hoje para nós brasileiros, é a língua, aqueles que não dominam o mínimo necessário para se comunicar, passam por uma grande dificuldade para encontrar uma colocação, acabam restando poucas alternativas que são disputadas por uma grande quantidade de pessoas. E o pior é que na situação atual, o desemprego está tão elevado que os brasileiros tem que disputar o emprego com os japoneses também, e entre um brasileiro que mal domina a língua e um japonês que tem domínio da fala e da escrita, fica evidente qual a opção mais interessante para as empresas.

Aqui começa um longo período de busca por algo chamado estabilidade, um lugar onde se possa trabalhar e receber um salário digno e continuar a viver nesse país que ninguém sabe quando vai se reeguer.





Muita coisa mudou.

6 02 2009
Telefone público do Japão.

Telefone público do Japão.

Moro aqui no Japão faz muito tempo, e vi muitas coisas mudarem com o advento da Internet, antigamente coisas que eram difíceis hoje se tornaram triviais graças à grande rede mundial.

Antigamente para se comunicar com alguém no Brasil, era uma canseira, ou você escrevia uma carta ou telefonava, a carta era a opção mais em conta mas demorava um pouco para chegar ao Brasil, uma semana mais ou menos, e ficava aquela coisa de manda hoje e só daqui duas semanas chegava a resposta. E tínhamos o telefone, que dava um trabalho, pois ninguém tinha telefone em casa e tínhamos que sair para procurar um telefone público que fizesse ligações internacionais, muitas vezes tínhamos que andar muito até achar um, fora o preço da ligação que era um absurdo naquela época.

Mas depois da Internet, cartas são coisa do passado, hoje o e-mail vai e volta em questão de segundos. É incrível como a pouco mais de quinze anos, a única maneira de se comunicar via texto fossem somente carta e telegrama, e das duas uma, ou pagava-se caro por um telegrama ou levava-se tempo enviando e recebendo uma carta. Muitas pessoas não se dão conta da maravilha que é essa comunicação fácil e quase instantânea, alguém escreve um e-mail lá do Brasil para mim, e eu recebo aqui no meu celular, em casa, no trabalho, em trânsito, praticamente em qualquer lugar.

Cabine telefônica.

Cabine telefônica.

Depois vieram as mudanças no telefone, os preços das tarifas começaram a cair, com o mesmo valor fala-se muito mais hoje, em grande parte graças ao VoIp, essa tecnologia barateou demais as ligações internacionais, isso sem usar o Skype, usando então, fica bem mais em conta, mas o que mais me impressionou foi a tecnologia dos mensageiros instantâneos, como é que pode, hoje fala-se com alguém do outro lado do mundo com imagem e som, uma revolução na minha opinião, nem tinha idéia de como a Internet mudaria a vida de todos nós, diminuindo as distâncias e aproximando as pessoas.





Japão em xeque.

3 02 2009
Manifesto pedindo mundanças na lei trabalhista.

Manifesto pedindo mundanças na lei trabalhista.

Esta semana estou cumprindo os últimos dias de aviso prévio na fábrica onde trabalho, em razão da crise, todos os brasileiros que trabalham nessa fábrica foram cortados.

A realidade é que o Japão como um todo está sofrendo com a crise, um país que não produz nada além de tecnologia, eletrônica e automobilística, entrou em recessão no momento que o mundo parou de comprar.

Não foi fácil para a fábrica onde trabalho tomar essa decisão, pois um funcionário, que levou anos para aprender tudo que sabe, também é um investimento, pois não é o tipo de trabalho que a pessoa chega, e em uma semana já se torna produtiva, leva-se tempo para aprender a lidar com os robôs e as máquinas computadorizadas. E é justamente por isso que ainda não haviam tomado essa decisão, pois ainda havia uma certa expectativa de melhora para o próximo ano fiscal.

Mas no final das contas chegou-se à conclusão que a crise vai demorar alguns anos para passar, os mais otimistas dizem 2 anos, os mais pessimistas falam de 4 a 5 anos, mas na verdade ninguém sabe ao certo.

E o Japão se depara hoje com a maior taxa de desemprego de toda sua história, centenas de milhares de pessoas que trabalhavam nas empresas, que hoje mostram prejuízos nunca vistos, não tem nehuma perspectiva de recolocação no mercado de trabalho, alguns por imperícia técnica, outros devido a idade e outros pela saturação do mercado de trabalho na região onde vivem.

E agora? Com uma economia engessada e uma massa de desempregados cada vez maior, o governo do Japão será obrigado a tomar alguma providência, eu digo “tomar” porque ainda não se vê nenhum movimento concreto nesse sentido, pelo contrário, o governo fala de aumento de impostos, algo que está sendo duramente criticado, por estar totalmente fora da realidade atual. Não sei ao certo, mas nas eleições que serão feitas em abril, me parece que o atual primeiro-ministro será provavelmente deposto, e que o partido que hoje tem a maioria não conseguirá eleger seus candidatos.

À nós pobres mortais, só resta esperar, e acreditar que os grandes líderes mundiais dêem um jeito nesse caos que a economia globalizada se tornou.