Raízes.

26 04 2009

Olá a todos.

Algo que andei pensando ultimamente, é sobre as raízes de cada um, imagino que existem aqueles que gostariam de saber de onde vem seus antepassados e a história por trás de cada um deles.

Quando era pequeno e frequentava  a escola no Brasil, tinha que ficar aguentando as gozações por ser descendente de japonês, aquela coisa de “olho rasgado”, “japonês garantido”, e outras coisas que as crianças dizem na sua cruel inocência. Isso era uma coisa que me incomodava muito, ficava me perguntando se ser diferente era tão estranho assim, e o azar de sempre ser o único com traços orientais na classe também não ajudava muito.

Mas conforme cresci, e justamente por ter a descendência japonesa, tive a oportunidade de vir para o Japão, o que antigamente era um suplício, tornou-se um grande diferencial que mudou minha vida para sempre, eu tive a oportunidade de conhecer a terra de meus ancestrais, uma oportunidade que vejo hoje, poucos tem.

Não que antes de vir para cá, eu sentisse um deslumbramento pela cultura nipônica, pelo contrário, o Japão e sua cultura me pareciam algo muito distante, sem muita conexão comigo, não falava japonês e não me interessava muito pela história de meus avós, mas hoje vivendo aqui, vejo o quanto é duro viver em outro país, convivendo com outra cultura, outra língua, e hoje vejo que não deve ter sido fácil para meus avós viverem em um país estranho para eles também, e sei hoje o quanto eles tiveram que lutar no Brasil.

E hoje gostaria de perguntar a todos, vocês tem orgulho de sua descendência?

Conhece ao menos um pouco da história de sua família?

Apesar de sermos todos brasileiros de nascença, a história de nossos antepassados também faz parte da identidade de cada um, a história de lutadores, desbravadores, que chegaram ao Brasil sem eira nem beira, e construíram uma história para nós hoje. E se me chamam “ô japonês”, não me sentirei segregado como quando era criança, com muito orgulho erguerei a cabeça, pois sei que foi um caminho muito longo para chegar até os dias de hoje, onde sou também chamado “brasileiro”.

É isso por enquanto, um abraço pessoal.





A cultura da aceitação.

23 04 2009

Olá pessoal.

Sei que é um assunto polêmico para os ocidentais, pois nos países de cultura cristã, o homossexualismo é considerado pecado, e não é raro encontrar pessoas com uma visão totalmente preconceituosa sobre o assunto. Creio que isso se deve principalmente a educação cristã em si, pois nos países do oriente, a visão é bem diferente.

Em vários países da ásia, encontramos culturas que aceitam o homossexualismo como algo normal, sem aquela imagem ligada a promiscuidade e a prostituição, que é tão comum na cultura ocidental, e o Japão não é excessão, devido a uma cultura com valores bem diferentes dos ocidentais, percebi uma abordagem totalmente diferente do assunto.

Há muito tempo, vê-se na TV do Japão, artistas que são abertamente homossexuais, na grande maioria homens que assumiram a identidade do sexo oposto, e vez ou outra aparecem outros que são afeminados e tem uma grande popularidade como cantores ou atores, e isso é mostrado sem nenhuma conotação pejorativa, inclusive eles próprios brincam com o fato.

Quando vim ao Japão, sinceramente, na visão estreita das que tinha na época, isso me pareceu um tanto estranho, não que tenha algum preconceito quanto as escolhas de cada um, pois acho que cada um escolhe o caminho que lhe parece melhor, e ninguém tem o direito de dizer o que é certo ou o que é errado. Mas quando se cresce escutando que ser homossexual é uma aberração, que é pecado, que deus e a igreja condenam, acaba-se ficando condicionado a essa idéia, mas ainda bem que tive a oporunidade de conhecer outra cultura com outros valores que me ajudaram a ver tudo de um ponto de vista diferente.

Aqui no Japão, o fato de ser homossexual é uma coisa tão normal que nem crianças nem velhos tem preconceitos acerca disso, é assim e pronto. Como sou curioso e gosto de saber o porque das coisas, procurei saber o porque disso, e me deparei com uma cultura milenar de aceitação do homossexualismo.

Acho que o relato mais comum que encontrei, foram os relatos da época da guerra dos clãs(1493-1573), quando os guerreiros partiam para a guerra, era permitido apenas aos homens acompanhar os batalhões, e sendo assim, os chefes dos clãs sem mulheres para distraí-lo, chamavam os jovens de seu batalhão para beber e se divertir junto com eles.

Outra coisa bastante comum a séculos, são as companhias de teatro, no passado existiam várias delas que viajavam todo o Japão apresentando peças teatrais nas cidades e pequenos povoados, e ainda hoje, o formato das companhias e das peças perdura com poucas modificações, e é muito comum nessas peças que os homens assumam papéis femininos, os atores desde pequenos se maquilam e dançam no papel de mulheres, incorporando perfeitamente o papel feminino.

O contrário também é válido, existe no Japão uma compahia de teatro e dança chamado “Takarazuka Gekidan”, que é uma companhia formada exclusivamente de mulheres, e os papéis masculinos também são todos representados por mulheres, e é um sucesso absoluto, com um público fiel em todo o Japão.

Outra coisa bastante comum são os pubs de travestis, que não são exatamente como os ocidentais estão acostumados a ver, mas apenas lugares onde se vai para beber e conversar, pois os homens muitas vezes gostam da visão que os homossexuais tem da vida, que é uma visão híbrida, nem masculina nem feminina das coisas, e isso ajuda a tirar um pouco do estresse do dia a dia, pois é bom ser compreendido por alguém que conhece os dois lados da moeda.

Mas juntando tudo em um cenário só, eu diria que o Japão é um país sem preconceitos quanto ao homossexualismo, é mais uma prova de que a cultura e a história de um país, pode mudar totalmente o modo de ver de um povo, provando que o preconceito existe nos olhos de quem vê.

É só por enquanto pessoal, um abraço.





Língua Japonesa.

16 04 2009

Para todos que estão aprendendo japonês, fica aqui a dica de um blog que na minha opinião está fazendo um excelente trabalho.

O blog “Língua Japonesa“, e o Meu Kanji, do autor Eduardo Monteiro S. de Sousa.

“O Língua Japonesa é um curso de japonês online e grátis para todos que se interessam pelo maravilhoso idioma oriental. Aqui você vai ter tudo o que precisa para aprender japonês de forma simples, divertida e descomplicada.”

É só clicar no link deste post ou no banner da lista de links para acessar, recomendo a leitura para todos que querem aprender um pouco mais da língua japonesa.





O valor da vida.

14 04 2009

Olá pessoal, gostaria de mostrar um pouco da face oculta do Japão, coisas que geralmente poucos falam, mas que está presente no dia a dia do Japão.

O Japão é um país único, culturalmente falando, alguém vindo de um país ocidental, muitas vezes não entende o modo de pensar desse povo.

Umas das coisas que mais me chocaram aqui, foi o valor dado à vida, não são raros os casos de suicídio aqui no Japão, há casos grotescos em que os pais matam os filhos e depois se suicidam, e outros em que os filhos matam os pais e depois se matam, existem casos e casos, a taxa de suicídios é a maior entre os países desenvolvidos, com uma média de 25 por cada 100 mil habitantes, parece pouco, mas se comparado ao Brasil, com uma média de 5 por cada 100 mil, é um número assustador. E vendo-se que a maioria dos suicidas são jovens ainda em idade escolar, podemos ver o grande problema social que existe por trás dos números.

Uma vez conversando entre amigos, ouvi a frase, “japonês é um bicho besta, morre por qualquer coisa, no Brasil não é assim”, pensei um pouco sobre isso e dei minha opinião sobre “japonês ser um bicho besta, e brasileiro não”, argumentei que o suicído no Japão não é considerado pecado, pois pecado é um conceito incutido pela cultura cristã, desde pequenos ouvimos que suicídio é pecado, que os suicidas vão para o inferno e coisa e tal, e isso acaba por moldar uma visão de medo em relação ao assunto. Mas o Japão é um país budista, que prega a reencarnação, na cabeça deles, morreu, é só voltar e começar tudo de novo.

Desde o tempo dos samurais, o suicídio era considerado uma solução em casos extremos, o “seppuku”, que os ocidentais conhecem também como “harakiri”, foi amplamente usado como modo de limpar a honra. Vemos na história que foi uma prática normal entre os japoneses de antigamente. O que acabou criando uma imagem dramática e romântica em torno desse ato.

É chocante constatar a falta de valor dado à vida aqui no Japão, o pensamento de que morrer acaba com todos os problemas, mas aos poucos, parece que o pensamento dos japoneses está mudando. A algum tempo atrás, vi uma reportagem na TV japonesa sobre um senhor que tinha um câncer pulmonar maligno, com apenas dois meses de expectativa de vida. Com o pouco de tempo de vida que lhe restava, ele tomou uma atitude digna de elogio, este senhor passou seus últimos dias viajando pelo Japão, dando palestras em escolas, falando sobre sua experiência de vida, sobre como tudo se torna fútil, dinheiro, posses, quando o fim se torna iminente.

Ele contava que tudo o que ele ganhou e construiu durante a vida não lhe valiam nada, o que valia mesmo era o amor de sua família e amigos, coisa que aqueles que se suicidam, não dão valor nenhum, e terminava dizendo:

“E para todos aqueles, que acham que a vida não vale nada, que é melhor morrer porque não estão contentes com sua vida atual, eu quero esse tempo de vida de vocês, se possível fosse, queria essa vida para mim. Agora que me restam apenas poucos dias, gostaria de poder fazer muito mais, de poder fazer aquilo que não enxergava antes. Por isso agora eu digo, não desperdicem suas vidas por motivos fúteis, há uma vida inteira esperando por vocês lá fora, há tantas pessoas que se pudessem levariam a vida que vocês estão levando hoje, mas estão condenados a morrer em pouco tempo. Vivam, pois a mais maravilhosa das dádivas é a vida. ”

É difícil para nós entendermos o que se passa na cabeça de alguém que se mata, mas a cultura tem um papel muito grande neste tipo de pensamento aqui no Japão, a competição acirrada de uma sociedade que não perdoa a falha, a cobrança de se entrar em uma boa escola, em uma faculdade conceituada, de se encontrar emprego em uma grande empresa, as pessoas são massacradas pelas cobranças da sociedade, e a solução no final, é simplesmente morrer. Mas o governo e outras organizações não ficam parados olhando tudo isso acontecer, existe um trabalho muito grande, que tenta ajudar as pessoas, e principalmente os jovens, com aconselhamento psicológico e um trabalho social no sentido de acabar com o grande número de suicídios existente no Japão.

A curto prazo não vejo uma solução para este problema, mas espero que as coisas mudem e que os japoneses dêem mais valor à suas próprias vidas.

Qualquer opinião, deixem um comentário.

Até outra pessoal.





A diferença nossa de cada dia.

7 04 2009

Olá pessoal.

Hoje andei pensando novamente sobre as diferenças entre brasileiros e japoneses aqui no Japão. Porque gostar ou desgostar uns dos outros?

Há aqueles que gostam daqui, por causa do dinheiro, da segurança, da estabilidade e tudo o mais que existe de bom nessa terra.

E há aqueles que não gostam daqui, por causa da cultura, da língua, das pessoas, e tudo o mais que possa tornar a vida aqui mais difícil.

Acredito que todos aqueles que não gostam daqui, sejam aqueles com problemas de adaptação, conheci muitos deles, uns diziam ficarem nervosos por não entenderem o que os japoneses diziam, outros achavam os japoneses muito “bobos”, ficavam sempre rindo de piadas sem graça e brincadeiras infantis, outros se achavam segregados pelos japoneses, diziam que por serem brasileiros, eram tratados de maneira diferente.

Todas as reclamações tem seu fundo de verdade, mas se forem vistos de um outro ponto de vista, mostra a falta de conhecimento e a falta de habilidade em se lidar com uma cultura diferente.

Sobre os japoneses parecerem bobos, por um certo lado concordo, mas acho que isso se deve a cultura do pós-guerra, não existe tensão, nem uma vida “dura” o suficiente para que sejam “espertos” como os brasileiros, por causa disso, acho que não existe a malícia acentuada de um brasileiro, acostumado a sempre supor que o próximo pode lhe sacanear.

O humor japonês e as piadas, são outra coisa que os brasileiros não entendem, o senso de humor japonês é totalmente diferente do nosso, assim os japoneses não entendem nossas piadas, assim como eu não entendo as piadas dos americanos, cada povo tem uma maneira própria de entender as coisas, sendo assim não há como se entrar em um consenso, a não ser que se conheça a cultura e a língua uns dos outros.

Os japoneses não entendem a graça de uma piada de portugues e brasileiros não entendem aqueles dois comediantes que falam rápido pra caramba e ficam batendo na cabeça um do outro, mas fazer o que, é a cultura de cada povo e fica difícil explicar tanto para o japonês como para o brasileiro, só tendo um bom conhecimento da língua e dos costumes é que se pode entender o porque de tantas risadas dos dois lados.

E finalmente existe a reclamação da discriminação que muitos “pensam” sofrer, eu digo “pensam” porque na grande maioria das vezes é só uma impressão causada pela maneira de agir dos japoneses ou pela maneira de falar, mas vendo “de fora”, como um observador, muitas vezes a maneira como os brasileiros falam com os japoneses, é um palavreado seco, pela falta de conhecimento do idioma, e desrespeitosamente intimista para os costumes japoneses, que são um povo muito reservado, o que no final acaba causando um distanciamento pela estranheza da cultura e dos costumes do brasileiro, que dá a impressão de que os japoneses não gostam de brasileiros ou não querem conversar conosco.

Mas apesar de todas as diferenças e dificuldades, conheci pessoas que se adaptaram muito bem ao Japão, assim como os japoneses que foram ao Brasil também se adaptaram, e assim continuamos nosso intercâmbio.

É isso aí pessoal, até a próxima.

Um abraço.





Vizinhança problemática.

5 04 2009

trajetoria
Como todos devem ter visto nos noticiários, o momento é de tensão entre o Japão e a Coréia do Norte. Com esse negócio de lançar um foguete, que ninguém sabe na verdade se é mesmo um foguete ou um míssil, eles conseguiram acabar com a paz deste país.

Já faz alguns dias que não se fala em outra coisa nos noticiários e jornais, parece até que vão jogar o míssil no Japão, o que não é verdade, segundo o pessoal de lá, dizem que é apenas um satélite, mas por vias das dúvidas o Japão armou um esquema para derrubar qualquer objeto voador ou destroço que possa cair em território japonês. Juntamente com isso, existe um esquema para alertar todo o país se algum destroço não abatido for cair por aqui, só ontem, foram dois alarmes falsos que deixaram todos preocupados.

Tudo isso volta a azedar a já não muito boa relação entre os dois países, que já tinham problemas com o sequestro de cidadãos japoneses pelos norte-coreanos, algo que não admitem, mesmo com provas e testemunhas.

Como o Japão não tem Forças Armadas, a única coisa que pode fazer é reclamar com seu parceiro, os Estados Unidos, que diz algumas coisas mas não faz nada, pois afinal de contas, já tem problemas demais para se preocupar, e não está dando muita bola para um ditadorzinho qualquer.

Enquanto isso, a Coréia do Norte late, o Japão chora e nós que estamos em território japonês nos preocupamos.

Vizinhos problemáticos existem até nos melhores lugares.





Um pouco de propaganda.

5 04 2009

Para ajudar este blog a ser lido por mais pessoas, coloquei lá no BlogBlogs.

Tem muita coisa boa lá, quem quiser dar uma olhada é só seguir o link.

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