Padronização, a resposta para todos os males.

1 04 2009

Olá a todos.

Japão e Brasil, entre tantas diferenças que vejo entre os dois países, acho que a maior é a padronização, no Brasil estamos tão acostumados a dar um jeitinho em tudo, que o sentido da padronização se perde entre as tantas gambiarras feitas ao longo do processo.

O Japão pode-se dizer, é um exemplo de padronização, desde alimentos até móveis e eletrônicos, tudo tem um padrão que deve ser seguido, ficando assim  mais fácil prever e planejar o espaço que será tomado por um móvel, a quantidade de um ingrediente em uma receita, o tamanho e a quantidade de material para uma reforma, tudo é feito para se encaixar em um padrão, sem a necessidade da nossa tão conhecida gambiarra.

O padrão é algo muito bom, pois desonera o consumidor de ter que pensar mais que o necessário, pois todos procuram soluções, e não mais coisas para pensar. Uma coisa interessante aqui por exemplo, são as casas, os cômodos são construídos em um padrão de área chamado “jou”(lê-se diou), que é a medida padrão dos tatamis usados aqui, geralmente os quartos de tamanho médio são de 6 tatamis colocados em uma ordem específica, isso torna mais fácil na hora de comprar um carpete para o quarto ou uma mesa. As janelas e portas também entram nessa ordem de padronização, os vidros e esquadrias são de um tamanho padrão e fica mais fácil assim comprar cortinas ou colocar uma veneziana na janela.

Alimentos também tem um padrão, tomate, batata, melão, melancia, pepino, pimentão, repolho, acelga e outras hortaliças e frutas, são vendidas em um tamanho e quantidade definidos, é muito difícil encontrar legumes e verduras fora dos padrões, eles dificilmente chegam ao consumidor final.

Onde eu quero chegar com tudo isso afinal?

Quero dizer que os padrões tornam tudo mais fácil, tanto para quem consome como para quem produz. Quem produz pode reaproveitar maquinário e embalagens para vários produtos, facilitando a produção e o transporte. O consumidor tem a vantagem de poder escolher entre produtos mais refinados e com um mínimo de qualidade já garantida. E aqui no Japão vejo os padrões levados muito a sério, tudo é feito para que o consumidor tenha o melhor produto com o mínimo de trabalho, um padrão cultural de dar inveja.

Nós brasileiros temos uma auto-imagem de que somos espertos e flexíveis, nos adaptamos e damos um jeito em tudo, em parte acho que isso vem da necessidade de sermos forçados a nos adaptar a muitas coisas no Brasil, esse costume já tornou-se algo enraizado na cultura do “jeitinho brasileiro”, bom por um lado, mas péssimo por outro, pois nos tornamos complacentes, aceitando coisas que seriam inconcebíveis em um país de primeiro mundo. Sem um padrão a ser seguido, tudo torna-se uma bagunça só, e todos tomam a atitude do cada um por si, e a estrutura toda desmorona. O que falta em nosso país são padrões, não apenas industriais, mas principalmente morais e culturais, pois sem uma base sólida não se constrói nada, nem uma cultura nem um país.

Por hoje é só, um abraço.

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