Nós, os estranhos.

10 06 2009

Olá pessoal.

Sempre tive minhas dúvidas em relação a presença dos brasileiros no Japão, baseado no convívio que tive com meus avós japoneses, que para mim eram um bom exemplo da cultura dessa terra, e ficava imaginando como uma sociedade formada de pessoas como eles, iriam receber e conviver com os brasileiros.

Em parte estava certo, e em parte errado nas minhas suposições, chegando aqui, vi que nem todos os japoneses são como meus avós, hoje a sociedade japonesa está, como posso dizer, “light”, aquele comportamento rígido que era minha imagem dos japoneses, se mostrou um tanto ultrapassada, eles mudaram muito nas últimas décadas, estão mais tolerantes, mas não muito.

Por outro lado, houve, e ainda há, um constante choque de culturas, nos últimos tempos ouvi mais uma história de problemas que vem do comportamento, e da maneira de pensar dos brasileiros. Um amigo meu estava reunido com outros amigos em seu apartamento, conversando, bebendo e ouvindo música, mas parece que os brasileiros, quanto mais bebem, mais ficam surdos, o som, e o tom da conversa,  já estava em um volume um pouco alto demais, moral da história, os vizinhos chamaram a polícia, e ela veio ensinar um pouco das regras do Japão para os integrantes da festinha.

Os japoneses são um povo muito reservado, isso é um traço da cultura deles, e os brasileiros são barulhentos por natureza, mas parece que os brasileiros se esquecem que não estamos no Brasil, e muitos ignoram a regra de ouro da convivência pacífica, “Em Roma, faça como os romanos. “, algo simples, que se fosse seguido, evitaria muita dor de cabeça para os dois lados.

Mas a grande maioria dos brasileiros nem liga, muitos acham que os japoneses tem que nos aceitar como somos, com nossas virtudes e defeitos, e os japoneses acham que, como estamos no Japão, devemos seguir as regras daqui, pois estamos no país deles. Eu particularmente sou da opinião de que os japoneses estão certos, forçar um convivência entre dois povos tão diferentes, sem um mínimo de colaboração, é algo impossível de sustentar.

Por isso, somos rotulados de estranhos, e assim continuaremos até que todos aprendam que convivência é também colaboração, e não chegar metendo o pé na porta e ir invadindo a casa dos outros e impondo seus costumes.

É isso aí pessoal, até outra.

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14 responses

10 06 2009
Carlos

^^ ..interessante isso
realmente…devem respeitar a “casa” dos outros!!
eu tbm ouvi dizer q os japoneses não usam perfume como nós..e q podem até achar “fedido” um brasileiro muito perfumado..é verdade?
é muito interessante a cultura deles

10 06 2009
Dan

Olá Carlos.

Pois é, todos os problemas acontecem, porque os japoneses são muito discretos e comedidos, o que é muito diferente da cultura do brasileiro, inclusive nos quesitos sabor, vestimenta e cheiros, nada de ficar tomando “banho” de perfume.

Tudo aqui gira em torno de não incomodar os outros.

Valeu, até outra.

17 06 2009
Eduardo Monteiro

Dan,

Penso o mesmo que você.
Acho que porque sou um pouco parecido com os japoneses neste aspecto. Gosto de privacidade, tranquilidade e faço de tudo para não incomodar os outros.

Na rua onde eu moro tem um grupo de pessoas que adoram beber e ouvir música. Você acha que eles se importam com os vizinhos? Eu acho que não…

Uma das coisas que parece faltar em alguns Brasileiros é o sendo de convivência, que neste caso que você citou, também ajuda bastante.

Ótimo artigo.

17 06 2009
Dan

Olá Eduardo, obrigado pelo comentário.

Em tempos de globalização, a palavra conviver, acaba adquirindo um aspecto muito importante. Pois hoje, tanto fisicamente como virtualmente, estamos nos relacionando com outras culturas e modos de pensar, e a habilidade para lidar com isso, é essencial para que possamos nos mostrar como pessoas civilizadas, tanto no Japão como em qualquer lugar do mundo.

Um abraço.

23 06 2009
Bia

Quando se está na casa de alguém, o mínimo que se deve fazer é respeitar as regras do lugar. A não ser que a casa seja sua. Concordo com você. E o mais engraçado é que aqui no Brasil as pessoas também vivem chamando a polícia para conter barulho de festinhas.
Japonês é sistemático e metódico, superdisciplinado. Qualquer quebra de regras o incomoda muito mais. Isso tem seus prós e contras, mas é assunto pra outra ocasião.
Bjs.

23 06 2009
Dan

Olá Bia.

O choque de culturas é algo inevitável por aqui, uma sociedade homogênea como a japonesa, nem sempre tem paciência com os excessos dos brasileiros, mas isso é algo que vai levar muito tempo para mudar, enquanto isso paciência.

Obrigado pela visita, um abraço.

1 08 2009
Adriano Dal Bosco

Há motivos muito mais “mundanos” para os japoneses agirem assim. As paredes são finas, as casas e apartamentos são pequenos e muito próximos uns dos outros. A polícia leva a sério e atende a esse tipo de chamado. Se, no Brasil, vivêssemos nessas condições, acredito que esse tipo de coisa aconteceria com bem mais freqüência por aqui também. A gente agüenta os vizinhos barulhentos porque não tem outra opção.

Quanto aos brasileiros que vivem no Japão e acham que são os japoneses que deveriam se adaptar a eles e não o contrário, eu diria que isso é um traço marcante da cultura brasileira: o brasileiro se acha melhor do que todos os outros povos do mundo (afinal temos praias, bundas e florestas).

1 08 2009
Dan

Olá Adriano, obrigado pela visita e pelos comentários.

É até injusto julgar um país inteiro apenas por um punhado de pessoas, mas encontrei um reflexo muito forte da cultura do brasileiro, na comunidade que se encontra hoje no Japão, e para ser sincero, há horas que me envergonho. Mas o grande problema é que aos olhos das pessoas de outro país, se sobressaem mais os defeitos que as qualidades, e isso é um problema muito grande, mas com o tempo acho que todos se adaptarão.

23 10 2009
Camila França

Achei esse artigo muito interessante, porque descreve exatamente como o brasileiro é diante a outras culturas. Acho falta de respeito e educação querer ser superior a qualquer nacionalidade. Não é porque você está no país estrangeiro que deve fazer o que quiser. Principalmente os países orientais, que a cultura é muito diferente da nossa. Lá tem as regras que devem ser cumpridas, assim como aqui no Brasil (que nem muita das vezes são cumpridas). As pessoas deveriam parar de ser mais alienadas e ter uma visão mais ampla do que as culturas orientais nos fornecem.

13 05 2010
tainnah

Convivência é também colaboração. Concordo com voce! respeito é tudo.

24 11 2010
David

como as japonesas(jovens) agem em relaçao aos brasileiros…eu fico imaginando como deve ser sofrido se relacionar com uma japa.

30 12 2010
Fábio Egito

Estava fuçando na internet informações sobre a cultura japonesa, pois vou passar pelo menos seis meses no Japão. Estou muito preocupado com o choque cultural.

20 01 2013
yosya@hotmail.com

Não compare o Brasil com o Japão deste jeito. O Japão está vivendo ainda os resquícios da boa fase dos investimentos americanos e do período da Qualidade Total inspirado por Deming. Entretanto, não se esqueça que foi um país que apoiou o Nazismo e pagou um preço caríssimo por esta atitude, portanto não é o céu na Terra, e sim apenas mais um povo que está aprendendo a ser melhor a cada dia, como todos os outros. Ninguém garante o futuro. O Japão era um país pobre e atrasado até 1940, e em 1980 já estava competindo com os EUA. Isto pode ocorrer em qualquer lugar do planeta. Roma era o maior império da Terra, e hoje é apenas uma cidadela. Tudo muda. Valorize tudo e todos, pois nada é para sempre.

7 02 2013
Dan

Porque não comparar, a cultura do Japão é muito mais que esse período da guerra e após ela, se você leu direito o que escrevi, vais entender que não estou falando de investimento americano nem nada disso, falo de uma cultura que tem mais de mil anos, algo que não deve ser menosprezado.
Coisas como honra, honestidade, respeito, não se conquistam de uma hora para outra, e também não se perdem facilmente, por isso a convivência é tão difícil, o “jeitinho” aqui não tem vez, ou se respeita as regras ou não tem acordo, pois essa é a diferença que traz tantos problemas, achar que tudo se resolve, sem ao menos se esforçar para entender que existe muito mais além de nossas própria cultura.

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