O valor da vida.

14 04 2009

Olá pessoal, gostaria de mostrar um pouco da face oculta do Japão, coisas que geralmente poucos falam, mas que está presente no dia a dia do Japão.

O Japão é um país único, culturalmente falando, alguém vindo de um país ocidental, muitas vezes não entende o modo de pensar desse povo.

Umas das coisas que mais me chocaram aqui, foi o valor dado à vida, não são raros os casos de suicídio aqui no Japão, há casos grotescos em que os pais matam os filhos e depois se suicidam, e outros em que os filhos matam os pais e depois se matam, existem casos e casos, a taxa de suicídios é a maior entre os países desenvolvidos, com uma média de 25 por cada 100 mil habitantes, parece pouco, mas se comparado ao Brasil, com uma média de 5 por cada 100 mil, é um número assustador. E vendo-se que a maioria dos suicidas são jovens ainda em idade escolar, podemos ver o grande problema social que existe por trás dos números.

Uma vez conversando entre amigos, ouvi a frase, “japonês é um bicho besta, morre por qualquer coisa, no Brasil não é assim”, pensei um pouco sobre isso e dei minha opinião sobre “japonês ser um bicho besta, e brasileiro não”, argumentei que o suicído no Japão não é considerado pecado, pois pecado é um conceito incutido pela cultura cristã, desde pequenos ouvimos que suicídio é pecado, que os suicidas vão para o inferno e coisa e tal, e isso acaba por moldar uma visão de medo em relação ao assunto. Mas o Japão é um país budista, que prega a reencarnação, na cabeça deles, morreu, é só voltar e começar tudo de novo.

Desde o tempo dos samurais, o suicídio era considerado uma solução em casos extremos, o “seppuku”, que os ocidentais conhecem também como “harakiri”, foi amplamente usado como modo de limpar a honra. Vemos na história que foi uma prática normal entre os japoneses de antigamente. O que acabou criando uma imagem dramática e romântica em torno desse ato.

É chocante constatar a falta de valor dado à vida aqui no Japão, o pensamento de que morrer acaba com todos os problemas, mas aos poucos, parece que o pensamento dos japoneses está mudando. A algum tempo atrás, vi uma reportagem na TV japonesa sobre um senhor que tinha um câncer pulmonar maligno, com apenas dois meses de expectativa de vida. Com o pouco de tempo de vida que lhe restava, ele tomou uma atitude digna de elogio, este senhor passou seus últimos dias viajando pelo Japão, dando palestras em escolas, falando sobre sua experiência de vida, sobre como tudo se torna fútil, dinheiro, posses, quando o fim se torna iminente.

Ele contava que tudo o que ele ganhou e construiu durante a vida não lhe valiam nada, o que valia mesmo era o amor de sua família e amigos, coisa que aqueles que se suicidam, não dão valor nenhum, e terminava dizendo:

“E para todos aqueles, que acham que a vida não vale nada, que é melhor morrer porque não estão contentes com sua vida atual, eu quero esse tempo de vida de vocês, se possível fosse, queria essa vida para mim. Agora que me restam apenas poucos dias, gostaria de poder fazer muito mais, de poder fazer aquilo que não enxergava antes. Por isso agora eu digo, não desperdicem suas vidas por motivos fúteis, há uma vida inteira esperando por vocês lá fora, há tantas pessoas que se pudessem levariam a vida que vocês estão levando hoje, mas estão condenados a morrer em pouco tempo. Vivam, pois a mais maravilhosa das dádivas é a vida. ”

É difícil para nós entendermos o que se passa na cabeça de alguém que se mata, mas a cultura tem um papel muito grande neste tipo de pensamento aqui no Japão, a competição acirrada de uma sociedade que não perdoa a falha, a cobrança de se entrar em uma boa escola, em uma faculdade conceituada, de se encontrar emprego em uma grande empresa, as pessoas são massacradas pelas cobranças da sociedade, e a solução no final, é simplesmente morrer. Mas o governo e outras organizações não ficam parados olhando tudo isso acontecer, existe um trabalho muito grande, que tenta ajudar as pessoas, e principalmente os jovens, com aconselhamento psicológico e um trabalho social no sentido de acabar com o grande número de suicídios existente no Japão.

A curto prazo não vejo uma solução para este problema, mas espero que as coisas mudem e que os japoneses dêem mais valor à suas próprias vidas.

Qualquer opinião, deixem um comentário.

Até outra pessoal.

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A diferença nossa de cada dia.

7 04 2009

Olá pessoal.

Hoje andei pensando novamente sobre as diferenças entre brasileiros e japoneses aqui no Japão. Porque gostar ou desgostar uns dos outros?

Há aqueles que gostam daqui, por causa do dinheiro, da segurança, da estabilidade e tudo o mais que existe de bom nessa terra.

E há aqueles que não gostam daqui, por causa da cultura, da língua, das pessoas, e tudo o mais que possa tornar a vida aqui mais difícil.

Acredito que todos aqueles que não gostam daqui, sejam aqueles com problemas de adaptação, conheci muitos deles, uns diziam ficarem nervosos por não entenderem o que os japoneses diziam, outros achavam os japoneses muito “bobos”, ficavam sempre rindo de piadas sem graça e brincadeiras infantis, outros se achavam segregados pelos japoneses, diziam que por serem brasileiros, eram tratados de maneira diferente.

Todas as reclamações tem seu fundo de verdade, mas se forem vistos de um outro ponto de vista, mostra a falta de conhecimento e a falta de habilidade em se lidar com uma cultura diferente.

Sobre os japoneses parecerem bobos, por um certo lado concordo, mas acho que isso se deve a cultura do pós-guerra, não existe tensão, nem uma vida “dura” o suficiente para que sejam “espertos” como os brasileiros, por causa disso, acho que não existe a malícia acentuada de um brasileiro, acostumado a sempre supor que o próximo pode lhe sacanear.

O humor japonês e as piadas, são outra coisa que os brasileiros não entendem, o senso de humor japonês é totalmente diferente do nosso, assim os japoneses não entendem nossas piadas, assim como eu não entendo as piadas dos americanos, cada povo tem uma maneira própria de entender as coisas, sendo assim não há como se entrar em um consenso, a não ser que se conheça a cultura e a língua uns dos outros.

Os japoneses não entendem a graça de uma piada de portugues e brasileiros não entendem aqueles dois comediantes que falam rápido pra caramba e ficam batendo na cabeça um do outro, mas fazer o que, é a cultura de cada povo e fica difícil explicar tanto para o japonês como para o brasileiro, só tendo um bom conhecimento da língua e dos costumes é que se pode entender o porque de tantas risadas dos dois lados.

E finalmente existe a reclamação da discriminação que muitos “pensam” sofrer, eu digo “pensam” porque na grande maioria das vezes é só uma impressão causada pela maneira de agir dos japoneses ou pela maneira de falar, mas vendo “de fora”, como um observador, muitas vezes a maneira como os brasileiros falam com os japoneses, é um palavreado seco, pela falta de conhecimento do idioma, e desrespeitosamente intimista para os costumes japoneses, que são um povo muito reservado, o que no final acaba causando um distanciamento pela estranheza da cultura e dos costumes do brasileiro, que dá a impressão de que os japoneses não gostam de brasileiros ou não querem conversar conosco.

Mas apesar de todas as diferenças e dificuldades, conheci pessoas que se adaptaram muito bem ao Japão, assim como os japoneses que foram ao Brasil também se adaptaram, e assim continuamos nosso intercâmbio.

É isso aí pessoal, até a próxima.

Um abraço.





Cansaço.

2 04 2009

Depois de mais de um mês desempregado, já estou me sentindo cansado. Cansado de ficar em casa, cansado de entrevistas, de escrever currículos, de ter que ficar provando aos entrevistadores e aos funcionários da Hello Work(agência de empregos do governo), que sou capacitado para trabalhar, de ter que ficar explicando que falo japonês, que leio 70% dos caracteres da língua japonesa e coisa e tal.

E sse é o problema de morar em outro país, tudo é mais difícil, mas fazer o que, foi uma escolha morar aqui, agora paciência.

Mas pelo menos tenho este blog para me expressar, e tirar um pouco do estresse





O país do descartável.

27 03 2009
lixo

"Montanha de lixo"

Olá pessoal.

Lembro-me de um amigo meu dizendo a frase, “Os japoneses são um povo perdulário.”. Na época nem tinha me dado conta da verdade contida nessa frase, pois aos meus olhos de refugiado econômico do terceiro mundo, o Japão se mostrava um lugar de abundância. Mas passada a fase de deslumbramento comecei a entender o sentido dessa frase.

Quando cheguei aqui costumávamos ver nas ruas, nos dias de lixo de grande porte, “montanhas” de lixo, que antes da lei de reciclagem, eram colocados na rua, em um lugar próprio para recolhimento. E nessas “montanhas” de lixo, na maioria produtos eletrônicos, que ocupavam metade da rua, encontrávamos de tudo desde aparelhos de vídeo até geladeiras e máquinas de lavar. Não que os aparelhos estivessem com defeito e eram jogados fora, mas simplesmente porque o dono comprava um novo e não tendo espaço em sua casa, simplesmente jogava fora o aparelho “velho”.

Isso soa absurdo? Claro que sim, é uma coisa sem cabimento, jogar uma TV ou um aparelho de som depois de 2 ou 3 anos de uso. Várias pessoas que conheci já recolheram coisas no “lixo”, que eram perfeitamente funcionais ainda, televisores, geladeiras, aparelhos de som, aparelhos de vídeo, máquinas de lavar, aspiradores, forno microondas, móveis, bicicletas, e por aí vai, com um pouco de “garimpagem” nas “montanhas”, mobiliava-se uma casa inteira.

O Japão a algum tempo atrás sofria da grande doença do capitalismo chamada, consumismo desenfreado, não se consertava nada, não se dava valor à nada, era mais fácil comprar um novo e os problemas eram resolvidos. Hoje em dia as coisas se acalmaram, a lei de reciclagem começou a taxar o lixo eletrônico e as pessoas começaram a pensar mais na hora de trocar, mas a mentalidade do “descartável” está enraizada na sociedade japonesa moderna, hoje em uma escala menor, mas ainda se joga fora as coisas que não são mais interessantes.

A alguns anos, lembro-me de um comercial de TV, veiculado pelo governo, que dizia, “Quando nós japoneses deixamos de consertar e começamos a jogar fora? Pense nisso.”, que era uma tentativa de conscientizar as pessoas do absurdo do consumismo, que estava criando um problema ambiental de toneladas de lixo todos os dias, e o Japão, com uma área territorial pequena, já não tinha como processar uma quantidade tão grande de lixo.

É uma pena que este tipo de mentalidade tenha tomado conta do Japão, pois antigamente existia a idéia, vinda do budismo, de que os objetos também tem uma alma, como os seres humanos, e é preciso respeitar essa “alma” e usar os objetos com zelo e gratidão, pois eles estão a nosso serviço.

Ainda hoje o mundo moderno seduz os japoneses para consumir mais e mais, mas graças a longa recessão e a tendência ecológica dos dias atuais, os japoneses, me parece, estão aos poucos voltando a entender o verdadeiro valor das coisas, as lojas de usados tem se multiplicado e as pessoas estão aprendendo que reciclar, significa também, utilizar novamente o mesmo objeto.

Mas quem sabe no futuro, todos voltem a usar as coisas com um sentimento maior de gratidão, e a palavra “Mottainai”, que significa desperdício em japonês, volte a ter o significado que tinha antigamente.

É isso aí pessoal, por hoje é só.

Um abraço.





Analfabeto? Eu?

9 03 2009

Tabela de horário de ônibus.

Tabela de horário de ônibus.

Olá a todos os poucos leitores do meu blog.

Tive a idéia de escrever este post porque acho que para nós que somos alfabetizados é difícil imaginar a dificuldade que passa uma pessoa analfabeta.

Quando vim para o Japão me deparei com um país completamente estranho, do qual eu conhecia um pouco da cultura mas nada da língua nem da escrita. No começo não me importava muito com isso pois na minha cabeça eu ainda estava em fase de adaptação e tudo acabaria se ajeitando com o tempo.

Mas passado esse período, comecei a me sentir incomodado, começaram a aparecer as dificuldades.

Fui ao banco e não conseguia sacar dinheiro no caixa-eletrônico, pois não conseguia ler as instruções, e me perguntava onde diabos estava o botão de sacar. Não conseguia comprar uma passagem de trem pois não conseguia ler o nome do destino na tabela de preços. Indo ao supermercado não sabia diferenciar o sal do açúcar! Claro, está escrito na embalagem mas não sabia ler, aí é que caiu a ficha, eu era um analfabeto, um completo analfabeto nessa terra estranha de uma escrita estranha.

As  coisas mais comuns que estamos acostumados a ver como a embalagem de algum produto, as placas das lojas, jornais, revistas, cardápios de lanchonetes e restaurantes, o nome de uma estação de trem, o destino de um ônibus, tudo era uma incógnita, um amontoado de símbolos estranhos sem sentido algum.

Interface de caixa eletrônico.

Interface de caixa eletrônico.

Na fábrica onde trabalhava as pessoas usavam crachás com o nome escrito, mas que para mim também não faziam sentido algum, as vezes queria perguntar algo mas não sabia como começar, pois não conseguia ler o nome nem o cargo da pessoa.

Banco, correio, prefeitura, lugares onde era necessário preencher papéis eram um suplício, aqueles formulários todos escritos em japonês e eu tendo que perguntar onde se escrevia o quê, e perguntando se podia escrever em letras romanas pois não sabia escrever em japonês, e as pessoas olhando para mim com uma expressão de perplexidade, pois pareço um japonês mas era analfabeto, e para eles isso é um tanto inusitado.

Lembro que evitava ir a restaurantes que não tinham um cardápio com fotografias, pois não conseguia ler, e claro, não conseguia fazer o pedido, mais de uma vez entrei e logo saí de um restaurante depois de ver o cardápio. E por isso, acabava indo muito ao MacDonald’s e ao Kentucky, pois era só apontar para a foto no cardápio e levantar o dedo fazendo sinal de um e o pedido era logo compreendido. Contei esse caso uma vez  a um japonês e ele me disse, “agora compreendo porque os estrangeiros vão tanto ao fast-food, não conseguem ler o cardápio, nunca havia  pensado nisso.” Quanta comida ruim tive que comer pelo simples fato de não saber ler um cardápio.

E depois de ter passado muito aperto e muita vergonha, começei a entender a dificuldade passada por uma pessoa que não sabe ler e escrever, gestos que para nós brasileiros no Brasil, podem parecer algo nato, é tão natural que temos a impressão de que já nascemos sabendo, e nos custa entender o drama dos excluídos, daqueles que não tiveram a oportunidade de ter o mínimo de instrução para ao menos escrever o próprio nome.

O analfabetismo é algo que deve ser erradicado, pois todo ser humano deve ter o direito ao mínimo de dignidade, sem ter que ficar perguntando o que está escrito ou passando a vergonha de ter que dizer “não sei ler” ou “não sei escrever”.

Vou terminando por aqui, se quiserem deixem um comentário.

Um abraço.





Encontros e Desencontros.

28 02 2009
Pessoas que perderam emprego e moradia.

Pessoas que perderam emprego e moradia.

Nos últimos posts tenho escrito muito sobre a crise econômica e desemprego, isso pode até parecer meio vago para aqueles que não vivem aqui, mas para nós que moramos no Japão as coisas são mais duras do que parecem.

Com o emprego perdemos grande parte das referências que formam nossa vida social, por exemplo as pessoas com quem estávamos acostumados a conviver, tanto no trabalho como fora dele, pois nossos amigos também se vão em busca de novos empregos. E isso acarreta uma série de transtornos não só ao trabalhador mas para toda sua família, principalmente os filhos que são obrigados a mudar de escola e deixar seus amigos e professores, tudo em prol da sobrevivência, pois sem emprego = sem dinheiro = sem vida estável.  Digo isso porque muitas vezes por não conseguir um emprego na mesma região, os brasileiros são obrigados a procurar em outras províncias, acarretando mais custos com mudança, aluguel de uma casa, fora a burocracia, ter que mudar de telefone, transferir os endereços, registro na prefeitura, e outras coisas mais.

Embora existam pessoas que gostem de conhecer lugares novos e parecem não se importar em ter que mudar(logicamente são na maioria solteiros), a grande maioria quer estabilidade mesmo, nada de ficar pulando de galho em galho sem um rumo certo na vida, mas as vezes é inevitável, você é simplemente obrigado a mudar.

Mas o grande estresse que senti são as fases, ser demitido, procurar um novo emprego e mudar-se, o que há de comum entre essas fases, é a incerteza sobre o futuro, é a pior coisa que existe, depois de passadas essas fases, adaptar-se ao novo ambiente nem é tão difícil, depois de tudo encaminhado acaba-se dando um jeito em tudo.

Infelizmente tudo o que relatei nesse post é algo que está acontecendo hoje, há os que se vão, e há os que ficam, mas sempre tem aquela pontada de tristeza pois somos seres sedentários e sociáveis por natureza, o que nos faz sentir pelo menos um pouco mais humanos e não simples máquinas de produção descartáveis.

Adeus.

Adeus.

Àqueles que se vão, boa sorte, e àqueles que ficam também boa sorte, como o mundo hoje é globalizado, graças a internet, quem sabe nos encontremos por aí um dia nos servidores da vida.

Por hoje é só, se tiver algum comentário, por favor, a palavra é sua.

Um abraço.





A falta de preparo.

22 02 2009

gaikoTenho conversado com várias pessoas sobre a situação atual do Japão, e tenho sentido que muitos tem encontrado dificuldade para encontrar emprego devido à falta de domínio da língua. Não estou falando de ler e escrever, pois isso é quase impraticável devido à falta de tempo e também pela quantidade de caracteres da língua japonesa, que torna o aprendizado muito difícil, me refiro apenas a linguagem falada, aquela que usamos no dia-a-dia.

Uma coisa que sempre tive dificuldade para entender, é que morando mais de dez anos nesse país, uma pessoa não consiga dominar nem 50% da linguagem falada. Não sei os motivos, se é por dificuldade de aprender ou por preguiça mesmo, mas aprender a falar é o mínimo necessário para se viver em qualquer lugar, a comunicação é a base de tudo, sem ela não se consegue nada, e nem sempre se pode contar com um intérprete para ajudar.

Mas uma parte dos brasileiros infelizmente não pensa da mesma maneira, já ouvi opiniões como “pra que vou aprender japonês se vou voltar ao Brasil?”, é uma triste realidade, a imperícia de se lidar com uma cultura totalmente diferente da nossa, pode levar à mal-entendidos que prejudicam a imagem da comunidade brasileira como um todo, o gesto de alguns torna-se o gesto de todos aos olhos dos japoneses, por isso a adaptação à lingua e à cultura, hoje são coisas que podem fazer a diferença entre estar empregado ou não.

Fica difícil de se encontrar um emprego se não consegue compreender o que o empregador está falando, a imagem fica totalmente prejudicada, e do lado do empregador, como confiar em uma pessoa que não entende o que ele fala? essa pessoa vai conseguir realizar o trabalho que lhe for designado? São perguntas que me ocorrem quando penso sobre o assunto.

Aqui onde moro tenho visto várias reportagens na TV sobre os brasileiros começando a aprender japonês, numa tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho, um gesto  louvável, mas os frutos desse esforço demoram um pouco para aparecer, e nem todos tem esse tempo para esperar.

Espero que com tudo isso que estamos passando possa ser um incentivo para todos nós brasileiros conseguirmos uma melhor adaptação ao Japão, e se todos tomarem consciência de que é necessário no mínimo aprender a falar a língua da terra em que se vive agora, isso irá melhorar muito nossa imagem como um todo perante os japoneses.