O que é ser consumidor?

18 05 2009

Olá a todos.

Ontem tive uma conversa interessante com minha esposa, ela é japonesa e de vez em quando me pergunta como funcionam as coisas no Brasil. Confesso que as vezes tenho vergonha de dizer algumas coisas, pois o Brasil se mostra tão injusto e desigual comparado ao Japão, que chega a ser absurdo certas coisas que acontecem em nosso país.

Continuando sobre a conversa, ela me perguntou se no Brasil os serviços e produtos são baratos, pois items alimentícios são bem mais em conta se comparado ao Japão. Expliquei que bens de consumo como eletrodomésticos e carros, são desproporcionalmente caras, levando em conta o poder aquisitivo da população em geral, e como exemplo usei os produtos eletrônicos como exemplo, que custam mais caro que no Japão, mesmo o salário médio no Brasil sendo três vezes menor.

Outra coisa que ela ficou chocada foi o tratamento dado ao consumidor, contei certos casos de total falta de respeito pelo consumidor, principalmente no atendimento público. Na inicativa privada, que deveria ser “melhor” por se tratar de empresas que ganham com a venda de produtos ou prestação de serviços, a situação também não é lá muito animadora, continuo vendo que ainda há muito que melhorar.

Uma pergunta que ela me fez e que também eu me fiz várias vezes a respeito de casos de falta de respeito ao consumidor, era se as empresas se esqueceram de quem é que paga as contas, elas se esquecem que existem, porque existem consumidores, sem consumidores não existe negócio.

No final de toda a explicação, minha esposa chegou a seguinte conclusão, o Brasil é essa bagunça porque não existe regulamentação(grande novidade né?), e falta concorrência também, no Japão, uma empresa que não satisfaz  o consumidor está condenada a quebrar, aqui ninguém vai onde não é bem atendido.

Tentei explicar que apesar de tudo, existem as empresas sérias que fazem tudo para satisfazer o consumidor, mas as que agem de má fé, se sobressaem muito mais no contexto geral, pela propaganda negativa, onde vale a máxima, “falem bem, ou falem mal, mas falem de mim”.

Ainda há muito a ser feito, para que o Brasil atinja o nível de excelência que o Japão atingiu, onde se duas empresas oferecem o mesmo produto, a diferença é tirada no atendimento ao consumidor , ganha quem atende melhor. E espero que um dia, nós brasileiros, cheguemos lá.

Um abraço pessoal.





Padronização, a resposta para todos os males.

1 04 2009

Olá a todos.

Japão e Brasil, entre tantas diferenças que vejo entre os dois países, acho que a maior é a padronização, no Brasil estamos tão acostumados a dar um jeitinho em tudo, que o sentido da padronização se perde entre as tantas gambiarras feitas ao longo do processo.

O Japão pode-se dizer, é um exemplo de padronização, desde alimentos até móveis e eletrônicos, tudo tem um padrão que deve ser seguido, ficando assim  mais fácil prever e planejar o espaço que será tomado por um móvel, a quantidade de um ingrediente em uma receita, o tamanho e a quantidade de material para uma reforma, tudo é feito para se encaixar em um padrão, sem a necessidade da nossa tão conhecida gambiarra.

O padrão é algo muito bom, pois desonera o consumidor de ter que pensar mais que o necessário, pois todos procuram soluções, e não mais coisas para pensar. Uma coisa interessante aqui por exemplo, são as casas, os cômodos são construídos em um padrão de área chamado “jou”(lê-se diou), que é a medida padrão dos tatamis usados aqui, geralmente os quartos de tamanho médio são de 6 tatamis colocados em uma ordem específica, isso torna mais fácil na hora de comprar um carpete para o quarto ou uma mesa. As janelas e portas também entram nessa ordem de padronização, os vidros e esquadrias são de um tamanho padrão e fica mais fácil assim comprar cortinas ou colocar uma veneziana na janela.

Alimentos também tem um padrão, tomate, batata, melão, melancia, pepino, pimentão, repolho, acelga e outras hortaliças e frutas, são vendidas em um tamanho e quantidade definidos, é muito difícil encontrar legumes e verduras fora dos padrões, eles dificilmente chegam ao consumidor final.

Onde eu quero chegar com tudo isso afinal?

Quero dizer que os padrões tornam tudo mais fácil, tanto para quem consome como para quem produz. Quem produz pode reaproveitar maquinário e embalagens para vários produtos, facilitando a produção e o transporte. O consumidor tem a vantagem de poder escolher entre produtos mais refinados e com um mínimo de qualidade já garantida. E aqui no Japão vejo os padrões levados muito a sério, tudo é feito para que o consumidor tenha o melhor produto com o mínimo de trabalho, um padrão cultural de dar inveja.

Nós brasileiros temos uma auto-imagem de que somos espertos e flexíveis, nos adaptamos e damos um jeito em tudo, em parte acho que isso vem da necessidade de sermos forçados a nos adaptar a muitas coisas no Brasil, esse costume já tornou-se algo enraizado na cultura do “jeitinho brasileiro”, bom por um lado, mas péssimo por outro, pois nos tornamos complacentes, aceitando coisas que seriam inconcebíveis em um país de primeiro mundo. Sem um padrão a ser seguido, tudo torna-se uma bagunça só, e todos tomam a atitude do cada um por si, e a estrutura toda desmorona. O que falta em nosso país são padrões, não apenas industriais, mas principalmente morais e culturais, pois sem uma base sólida não se constrói nada, nem uma cultura nem um país.

Por hoje é só, um abraço.