Cansaço.

2 04 2009

Depois de mais de um mês desempregado, já estou me sentindo cansado. Cansado de ficar em casa, cansado de entrevistas, de escrever currículos, de ter que ficar provando aos entrevistadores e aos funcionários da Hello Work(agência de empregos do governo), que sou capacitado para trabalhar, de ter que ficar explicando que falo japonês, que leio 70% dos caracteres da língua japonesa e coisa e tal.

E sse é o problema de morar em outro país, tudo é mais difícil, mas fazer o que, foi uma escolha morar aqui, agora paciência.

Mas pelo menos tenho este blog para me expressar, e tirar um pouco do estresse





Outra vez sobre a crise.

28 03 2009
crise1

A coisa tá feia

Mais uma vez volto a falar sobre a crise aqui nesse blog, mas fazer o que, esse é o assunto que tem agitado o Japão e o mundo nos últimos tempos.

Por aqui, as coisas não mudaram muito, ainda há muitos desempregados, e eu me incluo nesse grupo ainda, e ainda há uma tendência das coisas piorarem se o governo não acelerar as medidas para aquecer a economia.

E sobre a crise no Japão? Quando o Japão vai sair dessa?

Sobre essas perguntas, as opiniões ainda são muito diversas, há especialistas dizendo que vai piorar, há outros que dizem que vai melhorar, e há os que não tem previsão nenhuma, é esperar para ver.

Vamos começar pelas boas notícias, o pacote de incentivo do governo japonês, que no início foi muito criticado, finalmente começou a entrar em vigor, e com o anúncio de um aumento na verba de incentivo, feito pelo governo japonês na reunião do G20, deu um novo ânimo ao mercado de ações, mas por enquanto aqui embaixo onde está a grande maioria da população, ainda não se sentiu efeito nenhum. Mas isso não deixa de ser uma boa notícia nessa depressão que tem assolado o Japão nesses últimos tempos, e ao menos por enquanto houve uma refreada na queda livre em que se encontra a economia.

Agora as más notícias, a queda na produção das empresas está se fazendo sentir no mercado de consumo. Com as vendas em baixa as fábricas estão diminuindo as horas de trabalho e em consequência os trabalhadores ganham menos, e ganhando menos, gastam menos e aí se criou um círculo vicioso que no momento só tende a aumentar. O setor de serviços era o único que ainda se mantinha estável, mas como o dinheiro está parando de circular há uma retração maior vindo por aí. E ainda há o tão temido fim do ano fiscal, que virá com uma nova onda de desemprego e falências.

O que mais assusta nesse cenário todo, não só aqui no Japão mas em todo o mundo, é o movimento protecionista que se alastra por toda a parte, a Comunidade Européia começou dificultar a colocação de estrangeiros no mercado de trabalho, uma medida polêmica, mas como o xenofobismo é sempre o sintoma clássico nesses casos, já era de se esperar que algo assim aconteceria. Aqui no Japão as coisas ainda não chegaram a esse extremo, mas cedo ou tarde vai começar, pois é uma tendência natural dos países tentar proteger seus cidadãos.

Entre boas e más notícias, uma coisa continua sendo válida, nós que estamos aqui, devemos nos preparar da melhor maneira possível para poder competir no mercado de trabalho. Como sempre digo a todos, a importância de falar a língua da terra em que se vive, a importância da comunicação, do respeito pelos costumes, da aceitação da cultura, tudo é válido para se melhorar as chances de encontrar um emprego, e também melhorar a qualidade de vida.

É isso aí, até outra.





Sobre brasileiros e a crise no Japão.

14 03 2009

Alguns dias atras, para minha surpresa, tive meu post  “A falta de preparo.“, citado em um artigo sobre a crise no Japão.

O artigo “Japan, Brazil: Crisis puts an end to the dream of a better life.“(Japão, Brasil: Crise põe fim ao sonho de uma vida melhor.), escrito por Paula Góes, o artigo está em inglês.

Achei interessante saber que existem pessoas fora do eixo Brasil/Japão, que se importam em divulgar a situação passada pelos brasileiros na crise atual.





Encontros e Desencontros.

28 02 2009
Pessoas que perderam emprego e moradia.

Pessoas que perderam emprego e moradia.

Nos últimos posts tenho escrito muito sobre a crise econômica e desemprego, isso pode até parecer meio vago para aqueles que não vivem aqui, mas para nós que moramos no Japão as coisas são mais duras do que parecem.

Com o emprego perdemos grande parte das referências que formam nossa vida social, por exemplo as pessoas com quem estávamos acostumados a conviver, tanto no trabalho como fora dele, pois nossos amigos também se vão em busca de novos empregos. E isso acarreta uma série de transtornos não só ao trabalhador mas para toda sua família, principalmente os filhos que são obrigados a mudar de escola e deixar seus amigos e professores, tudo em prol da sobrevivência, pois sem emprego = sem dinheiro = sem vida estável.  Digo isso porque muitas vezes por não conseguir um emprego na mesma região, os brasileiros são obrigados a procurar em outras províncias, acarretando mais custos com mudança, aluguel de uma casa, fora a burocracia, ter que mudar de telefone, transferir os endereços, registro na prefeitura, e outras coisas mais.

Embora existam pessoas que gostem de conhecer lugares novos e parecem não se importar em ter que mudar(logicamente são na maioria solteiros), a grande maioria quer estabilidade mesmo, nada de ficar pulando de galho em galho sem um rumo certo na vida, mas as vezes é inevitável, você é simplemente obrigado a mudar.

Mas o grande estresse que senti são as fases, ser demitido, procurar um novo emprego e mudar-se, o que há de comum entre essas fases, é a incerteza sobre o futuro, é a pior coisa que existe, depois de passadas essas fases, adaptar-se ao novo ambiente nem é tão difícil, depois de tudo encaminhado acaba-se dando um jeito em tudo.

Infelizmente tudo o que relatei nesse post é algo que está acontecendo hoje, há os que se vão, e há os que ficam, mas sempre tem aquela pontada de tristeza pois somos seres sedentários e sociáveis por natureza, o que nos faz sentir pelo menos um pouco mais humanos e não simples máquinas de produção descartáveis.

Adeus.

Adeus.

Àqueles que se vão, boa sorte, e àqueles que ficam também boa sorte, como o mundo hoje é globalizado, graças a internet, quem sabe nos encontremos por aí um dia nos servidores da vida.

Por hoje é só, se tiver algum comentário, por favor, a palavra é sua.

Um abraço.





Quando o Japão vai se reerguer?

14 02 2009

005

Tenho visto muitos acessos nesse blog em busca de informações acerca da situação econômica do Japão, e também sobre as previsões de melhora da economia do país, e vejo que isso reflete a grande preocupação de todos sobre a atual situação do Japão.

Sinceramente falando, não sou nenhum especialista em economia, apenas escrevo minhas impressões, e aquilo que vivo no meu dia-a-dia. Vou tentar aqui resumir as informações que tenho tido acesso via internet, televisão e das conversas que tenho com os japoneses.

Para começar, sobre a situação atual, todos devem ter visto os vários anúncios de demissões e anúncios de prejuízos feitos por grandes empresas, não querendo ser pessimista, tudo indica que a coisa ainda tende a piorar, o Japão ainda não chegou ao fundo do poço, o ano fiscal que termina no próximo mês de março, já indica, segundo os especialistas, o anúncio de grandes prejuízos por parte das empresas em todo o país, e uma série de pedidos de falência também, e para piorar ainda mais, há a previsão de demissões em massa com o fim do contrato dos trabalhadores temporários, que termina junto com o ano fiscal.

Quanto as previsões de melhora da crise, as expectativas são bem conservadoras, segundo informações de várias fontes, há uma tendência de melhora daqui a 6 meses, mas não vai ser uma melhora significativa segundo os especialistas, será mais uma amenizada na queda livre que se encontra o Japão, a partir daí é que aos poucos começa a recuperação da economia, mas na melhor das expectativas, vai levar de 3 a 4 anos para se voltar ao patamar de 2007/2008, a preocupação no momento é se haverá fôlego para uma recuperação.

Outro grande problema apontado por todos, é o governo japonês, enquanto o mundo todo está trabalhando para sair da crise, eles perdem tempo com brigas internas entre os partidos, não se vê nenhuma medida concreta para amenizar a crise, falam muito nas próximas eleições, na tomada do poder pelo partido de oposição, e outras coisas que não indicam nenhuma providência para se combater a crise.

A conclusão que cheguei é simples, é ter paciência, não existe a bala de prata que vai acabar com a crise, vai levar um bom tempo para ela passar, e depende também de muito esforço de todos.

Acho que é isso aí, deixem um comentário se quiserem, até outra.