Onde isso vai parar.

20 05 2009

Olá pessoal.

Encontrei ontem uma notícia no site do G1, que me deixou preocupado, a xenofobia, que é um comportamento considerado normal em tempos de crise, está começando a tomar forma também no Japão.

Enquanto vivemos na incerteza do amanhã aqui no Japão, me parece que este país está tentando tornar os estrangeiros responsáveis por uma parte da crise atual, de repente nos tornamos “persona non grata” neste país.

E o mais incrível de tudo é que internamente, não há nenhuma informação sobre as declarações da reportagem, eles simplesmente omitem dos noticiários qualquer informação que possa ser constrangedora para o governo japonês. O governo japonês, despachando os brasileiros? Mentira, não ouvi uma só palavra na TV nem nos jornais. Essa é a reação dos japoneses, eles preferem fechar os olhos para os problemas, pois o que os olhos não veem o coração não sente.

Pior para nós os descendentes, que temos tanta afinidade com essa terra, pois achamos que somos como irmãos que vieram de fora e seríamos aceitos facilmente, ledo engano, pois quando a coisa aperta ouvimos afirmações cínicas de políticos que  não sabem o quanto é sofrido viver e trabalhar em um país estranho. Na época em que o Japão precisava de mão de obra e os jovens desse país não queriam trabalhar em serviços pesados e sujos, viemos e demos nossa contribuição, e agora que não somos mais necessários simplemente somos convidados a nos retirar.

E a sociedade no geral, simplesmente ignora esse fato, pois com uma mídia manipulada, não se tem conhecimento de nada, nem desse “incentivo” do governo para a retirada dos estrangeiros, nem das afirmações polêmicas de alguns políticos, a xenofobia está se tornando um cinismo deslavado, e nós as “vítimas” disso, somos obrigados a aceitar tudo sem discutir.

E sobre essa idéia de “exigir o conhecimento do idioma japonês para a liberação do visto”, eu duvido que metade dos estrangeiros passe em qualquer prova que o governo venha a exigir, e principalmente os que estão faz pouco tempo no país, pois muitas províncias e prefeituras não tem um programa que ajude o estrangeiro a se integrar a comunidade japonesa. Simplesmente muitos apontam dizendo isto ou aquilo é errado, mas não fazem muito para ensinar os costumes e as regras da vida no Japão. Simplesmente fecham os olhos para o fato de que não vivemos de graça aqui, também pagamos impostos como qualquer japonês, tudo o que eles pagam nós brasileiros também pagamos, e agora somos simplesmente convidados a nos retirar, como se o tempo em que estivemos aqui, fosse um favor gratuito feito pelo governo japonês.

Por isso me pergunto, onde é que vai parar tudo isso, o cinismo de um governo que agora quer lavar as mãos, quando vê que não há como arrumar facilmente uma colocação para os estrangeiros, mais a xenofobia de um povo, que acha que todos os problemas serão resolvidos apenas ignorando a presença desses estrangeiros do seu quintal.

E assim caminha o Japão nos dias de hoje.

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O custo Japão.

16 05 2009

Olá a todos.

Muitas pessoas imaginam que viver no Japão, é como viver em um conto de fadas, ganha-se muito dinheiro e vive-se confortavelmente sem qualquer dificuldade.

Em parte isso é verdade, existe a estabilidade que não existe no Brasil, os impostos são justos e a qualidade de vida é bem melhor, mas existe também, várias outras coisas que não são levadas em conta, quando as pessoas imaginam a vida no Japão.

Um dos mitos, é que se ganha muito bem por aqui. Não vou dizer que é mentira, se comparado ao Brasil onde ganha-se uma miséria para sobreviver, no Japão ao menos, existe uma padronização de renda que não existe no Brasil.

Mas apesar do salário alto, na média de 2,000 dólares por mês, o custo de vida aqui é muito alto. Para se ter um padrão de vida aceitável no Japão, gasta-se mais ou menos 1,500 dólares por mês. Um simples apartamento que não chega a ter 50 metros quadrados de área, custa na média 600 dólares por mês, a conta de energia elétrica chega a 120 dólares por mês, a conta com alimentação de um casal pode passar de 500 dólares por mês. Isso sem contar outros gastos como carro, telefone, internet e outros penduricalhos de nossa vida moderna.

Por tudo isso, as pessoas que acham que vivemos no céu, não se enganem, tudo tem um preço, e no Japão, ganha-se mais para poder pagar tudo isso, que custa muito mais caro que no Brasil.

Um abraço e até outra pessoal.





Outra vez sobre a crise.

28 03 2009
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A coisa tá feia

Mais uma vez volto a falar sobre a crise aqui nesse blog, mas fazer o que, esse é o assunto que tem agitado o Japão e o mundo nos últimos tempos.

Por aqui, as coisas não mudaram muito, ainda há muitos desempregados, e eu me incluo nesse grupo ainda, e ainda há uma tendência das coisas piorarem se o governo não acelerar as medidas para aquecer a economia.

E sobre a crise no Japão? Quando o Japão vai sair dessa?

Sobre essas perguntas, as opiniões ainda são muito diversas, há especialistas dizendo que vai piorar, há outros que dizem que vai melhorar, e há os que não tem previsão nenhuma, é esperar para ver.

Vamos começar pelas boas notícias, o pacote de incentivo do governo japonês, que no início foi muito criticado, finalmente começou a entrar em vigor, e com o anúncio de um aumento na verba de incentivo, feito pelo governo japonês na reunião do G20, deu um novo ânimo ao mercado de ações, mas por enquanto aqui embaixo onde está a grande maioria da população, ainda não se sentiu efeito nenhum. Mas isso não deixa de ser uma boa notícia nessa depressão que tem assolado o Japão nesses últimos tempos, e ao menos por enquanto houve uma refreada na queda livre em que se encontra a economia.

Agora as más notícias, a queda na produção das empresas está se fazendo sentir no mercado de consumo. Com as vendas em baixa as fábricas estão diminuindo as horas de trabalho e em consequência os trabalhadores ganham menos, e ganhando menos, gastam menos e aí se criou um círculo vicioso que no momento só tende a aumentar. O setor de serviços era o único que ainda se mantinha estável, mas como o dinheiro está parando de circular há uma retração maior vindo por aí. E ainda há o tão temido fim do ano fiscal, que virá com uma nova onda de desemprego e falências.

O que mais assusta nesse cenário todo, não só aqui no Japão mas em todo o mundo, é o movimento protecionista que se alastra por toda a parte, a Comunidade Européia começou dificultar a colocação de estrangeiros no mercado de trabalho, uma medida polêmica, mas como o xenofobismo é sempre o sintoma clássico nesses casos, já era de se esperar que algo assim aconteceria. Aqui no Japão as coisas ainda não chegaram a esse extremo, mas cedo ou tarde vai começar, pois é uma tendência natural dos países tentar proteger seus cidadãos.

Entre boas e más notícias, uma coisa continua sendo válida, nós que estamos aqui, devemos nos preparar da melhor maneira possível para poder competir no mercado de trabalho. Como sempre digo a todos, a importância de falar a língua da terra em que se vive, a importância da comunicação, do respeito pelos costumes, da aceitação da cultura, tudo é válido para se melhorar as chances de encontrar um emprego, e também melhorar a qualidade de vida.

É isso aí, até outra.





Quando o Japão vai se reerguer?

14 02 2009

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Tenho visto muitos acessos nesse blog em busca de informações acerca da situação econômica do Japão, e também sobre as previsões de melhora da economia do país, e vejo que isso reflete a grande preocupação de todos sobre a atual situação do Japão.

Sinceramente falando, não sou nenhum especialista em economia, apenas escrevo minhas impressões, e aquilo que vivo no meu dia-a-dia. Vou tentar aqui resumir as informações que tenho tido acesso via internet, televisão e das conversas que tenho com os japoneses.

Para começar, sobre a situação atual, todos devem ter visto os vários anúncios de demissões e anúncios de prejuízos feitos por grandes empresas, não querendo ser pessimista, tudo indica que a coisa ainda tende a piorar, o Japão ainda não chegou ao fundo do poço, o ano fiscal que termina no próximo mês de março, já indica, segundo os especialistas, o anúncio de grandes prejuízos por parte das empresas em todo o país, e uma série de pedidos de falência também, e para piorar ainda mais, há a previsão de demissões em massa com o fim do contrato dos trabalhadores temporários, que termina junto com o ano fiscal.

Quanto as previsões de melhora da crise, as expectativas são bem conservadoras, segundo informações de várias fontes, há uma tendência de melhora daqui a 6 meses, mas não vai ser uma melhora significativa segundo os especialistas, será mais uma amenizada na queda livre que se encontra o Japão, a partir daí é que aos poucos começa a recuperação da economia, mas na melhor das expectativas, vai levar de 3 a 4 anos para se voltar ao patamar de 2007/2008, a preocupação no momento é se haverá fôlego para uma recuperação.

Outro grande problema apontado por todos, é o governo japonês, enquanto o mundo todo está trabalhando para sair da crise, eles perdem tempo com brigas internas entre os partidos, não se vê nenhuma medida concreta para amenizar a crise, falam muito nas próximas eleições, na tomada do poder pelo partido de oposição, e outras coisas que não indicam nenhuma providência para se combater a crise.

A conclusão que cheguei é simples, é ter paciência, não existe a bala de prata que vai acabar com a crise, vai levar um bom tempo para ela passar, e depende também de muito esforço de todos.

Acho que é isso aí, deixem um comentário se quiserem, até outra.





Japão em xeque.

3 02 2009
Manifesto pedindo mundanças na lei trabalhista.

Manifesto pedindo mundanças na lei trabalhista.

Esta semana estou cumprindo os últimos dias de aviso prévio na fábrica onde trabalho, em razão da crise, todos os brasileiros que trabalham nessa fábrica foram cortados.

A realidade é que o Japão como um todo está sofrendo com a crise, um país que não produz nada além de tecnologia, eletrônica e automobilística, entrou em recessão no momento que o mundo parou de comprar.

Não foi fácil para a fábrica onde trabalho tomar essa decisão, pois um funcionário, que levou anos para aprender tudo que sabe, também é um investimento, pois não é o tipo de trabalho que a pessoa chega, e em uma semana já se torna produtiva, leva-se tempo para aprender a lidar com os robôs e as máquinas computadorizadas. E é justamente por isso que ainda não haviam tomado essa decisão, pois ainda havia uma certa expectativa de melhora para o próximo ano fiscal.

Mas no final das contas chegou-se à conclusão que a crise vai demorar alguns anos para passar, os mais otimistas dizem 2 anos, os mais pessimistas falam de 4 a 5 anos, mas na verdade ninguém sabe ao certo.

E o Japão se depara hoje com a maior taxa de desemprego de toda sua história, centenas de milhares de pessoas que trabalhavam nas empresas, que hoje mostram prejuízos nunca vistos, não tem nehuma perspectiva de recolocação no mercado de trabalho, alguns por imperícia técnica, outros devido a idade e outros pela saturação do mercado de trabalho na região onde vivem.

E agora? Com uma economia engessada e uma massa de desempregados cada vez maior, o governo do Japão será obrigado a tomar alguma providência, eu digo “tomar” porque ainda não se vê nenhum movimento concreto nesse sentido, pelo contrário, o governo fala de aumento de impostos, algo que está sendo duramente criticado, por estar totalmente fora da realidade atual. Não sei ao certo, mas nas eleições que serão feitas em abril, me parece que o atual primeiro-ministro será provavelmente deposto, e que o partido que hoje tem a maioria não conseguirá eleger seus candidatos.

À nós pobres mortais, só resta esperar, e acreditar que os grandes líderes mundiais dêem um jeito nesse caos que a economia globalizada se tornou.