Em busca do Japão perdido.

5 06 2009

Desde a época em que era criança, tinha uma certa curiosidade pelo Japão, achava incrível o fato de meus avós terem vindo do outro lado do mundo, mas não tive muita vontade de aprender sobre isso, apenas aceitava o fato, e tudo da cultura japonesa que aprendi, foi no dia-a-dia, convivendo com eles e seus hábitos.

Hoje vivendo aqui no Japão, vejo o quanto deixei de aprender com meus avós, acho que minha adaptação teria sido muito mais fácil se tivesse aprendido um pouco mais com eles.

Mas como já não há mais como voltar atrás, tive que me virar sozinho para aprender a língua, e a maioria dos costumes dessa terra, e vez ou outra sinto o quanto meus avós tinham a me ensinar, e agora me pego relembrando alguns hábitos de minha infância, muitas coisas que me foram ensinadas e que nem tinha consciência que eram uma pequena parte da cultura japonesa que me eram passadas.

Hoje vou aos poucos reencontrando o Japão perdido da minha infância, em cada costume que me foi ensinado, na maneira de pensar, de comer, de viver, e sinto uma grande gratidão por meus avós, que mesmo que eu não quisesse, e que depois tenha em parte esquecido, me legaram coisas valiosas que me foram muito úteis quando vim ao Japão, reencontrando em cada canto desse país, o rosto de meus avós.

E tudo hoje é na verdade um reecontro, e muita gratidão por ter tido ao menos uma pequena oportunidade de ter contato com essa cultura, mesmo estando no Brasil.

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Frágil equilíbrio.

19 05 2009
Akihabara

Akihabara

O Japão é um país interessante, enquanto se vive a loucura da vida hi-tech no dia-a-dia, com a nata da alta tecnologia como televisores, celulares, games e carros modernos, existe um outro Japão que parece ter parado no tempo.

É interessante ver o contraste entre a modernidade, que insiste em invadir todos os lugares, e a cultura e a tradição, que insistem em sobreviver em meio a tudo isso.

As vezes andando no meio de uma metrópole, deparamos com um templo budista, incrustado em meio aos prédios, totalmente deslocado em meio a paisagem moderna. Assim como vemos monges budistas com o mesmo tipo de roupa usado durante séculos, coisa muito fácil de se perceber pelos desenhos antigos em que aparecem.

Assim como não é raro ver pelas ruas de vez em quando, mulheres trajando “kimonos”, que são roupas de um estilo que vem de vários séculos. São roupas usadas em ocasiões especiais, como casamentos, formaturas e tudo o que seja necessário usar uma roupa de “gala”.

Assim como até hoje, apesar da cultura ocidental estar invadindo o Japão, ainda se usa o tão antigo “tatami” nas casas, com portas de correr feitas de papel, e ainda se usam “futons” para dormir, e “zabutons” para se sentar, mesmo depois de se passar mais de um século desde a queda dos samurais, ainda se usam as mesmas coisas que eram usadas naquela época.

Esse equilíbrio entre o moderno e o tradicional, é que eu considero umas das coisas impressionantes no Japão. O fato de um povo guardar e se orgulhar de sua cultura, o que eles simplesmente chamam de “Wa no kokoro”, que pode ser traduzido como “o coração japonês”, algo que dizem, todo japonês tem dentro de si.

chado

Cerimônia do chá





Raízes.

26 04 2009

Olá a todos.

Algo que andei pensando ultimamente, é sobre as raízes de cada um, imagino que existem aqueles que gostariam de saber de onde vem seus antepassados e a história por trás de cada um deles.

Quando era pequeno e frequentava  a escola no Brasil, tinha que ficar aguentando as gozações por ser descendente de japonês, aquela coisa de “olho rasgado”, “japonês garantido”, e outras coisas que as crianças dizem na sua cruel inocência. Isso era uma coisa que me incomodava muito, ficava me perguntando se ser diferente era tão estranho assim, e o azar de sempre ser o único com traços orientais na classe também não ajudava muito.

Mas conforme cresci, e justamente por ter a descendência japonesa, tive a oportunidade de vir para o Japão, o que antigamente era um suplício, tornou-se um grande diferencial que mudou minha vida para sempre, eu tive a oportunidade de conhecer a terra de meus ancestrais, uma oportunidade que vejo hoje, poucos tem.

Não que antes de vir para cá, eu sentisse um deslumbramento pela cultura nipônica, pelo contrário, o Japão e sua cultura me pareciam algo muito distante, sem muita conexão comigo, não falava japonês e não me interessava muito pela história de meus avós, mas hoje vivendo aqui, vejo o quanto é duro viver em outro país, convivendo com outra cultura, outra língua, e hoje vejo que não deve ter sido fácil para meus avós viverem em um país estranho para eles também, e sei hoje o quanto eles tiveram que lutar no Brasil.

E hoje gostaria de perguntar a todos, vocês tem orgulho de sua descendência?

Conhece ao menos um pouco da história de sua família?

Apesar de sermos todos brasileiros de nascença, a história de nossos antepassados também faz parte da identidade de cada um, a história de lutadores, desbravadores, que chegaram ao Brasil sem eira nem beira, e construíram uma história para nós hoje. E se me chamam “ô japonês”, não me sentirei segregado como quando era criança, com muito orgulho erguerei a cabeça, pois sei que foi um caminho muito longo para chegar até os dias de hoje, onde sou também chamado “brasileiro”.

É isso por enquanto, um abraço pessoal.