A imagem do país.

1 06 2009

Olá a todos.

Você se preocupa com a imagem do seu país?

Entre várias coisas que sinto de diferente entre o Japão e o Brasil, é a imagem que os japoneses tem de seu país e de sua cultura.

Aqui no Japão vejo sempre na TV, que é um ótimo termômetro da cultura em qualquer país, uma tendência a sempre valorizar o Japão em si. São programas mostrando vários lugares do país, com um apelo para um turismo rápido, com dicas gastronômicas e um pouco da história do lugar.

Os programas desse tipo, e outros que mostram muito da cultura e história de vários lugares do país, são coisas que gosto muito, pelo fato de mostrarem bastante a cultura, e também o cuidado e o orgulho que os japoneses tem com sua história. Algumas vezes, são locais onde não existe nada de muito especial, apenas um monumento mostrando que naquele lugar nasceu uma figura ilustre, mas a TV faz questão de mostrar a todos os expectadores que esse lugar existe.

Outras vezes mostram estabelecimentos comerciais que preparam um prato típico da região, e algo que sempre é citado é o fato do estabelecimento ter sido fundado a 100, 200 anos, e existem até aqueles que tem 400 ou 500 anos de história, e percebe-se o orgulho das pessoas em mostrar que continuam dando continuidade a uma tradição centenária.

E também existem os programas que mostram os artesãos japoneses com sua arte também centenária, e é sempre frisado que o artesão atual é o nono, décimo, ou vigésimo de uma linhagem de artesãos, com uma arte que é passada de pai para filho, e todo esse artesanato é na verdade um legado cultural sem preço.

E fora outros tantos programas mostrando as biografias de personagens famosos do Japão, desde samurais até pintores e escritores, ou qualquer figura que tenha contribuído de alguma forma para o enriquecimento da cultura no Japão.

Tudo isso me fez sentir que os japoneses são um povo que gosta de seu país, de sua cultura, e fazem questão de lembrarem isso no dia-a-dia, e não é raro escutar na TV frases como, “como é bom ser japonês”, ou então, “que bom ter nascido no Japão”. E todas são frases que demonstram o orgulho que tem de sua pequena ilha e de sua história.

Eu sendo brasileiro de nascença, apesar de ser neto de imigrantes japoneses, sinto uma certa inveja disso tudo, pois o meu país, que apesar de tudo o que há de errado nele, é um país maravilhoso, com uma cultura rica e um povo hospitaleiro, mas que não tem uma boa imagem de seu país, não são raras as opiniões de que o Brasil não tem jeito, de que o problema é a corrupção, a impunidade, e outros lugares comuns que de tanto ouvir, acabamos por ficar anestesiados. E acabamos por não mais enxergar o grande potencial que existe dentro do Brasil, mas se começarmos a enxergar as coisas com outros olhos, de repente  tudo pode mudar.

Como sempre digo, ainda tenho muito que aprender por aqui, um abraço pessoal.





Frágil equilíbrio.

19 05 2009
Akihabara

Akihabara

O Japão é um país interessante, enquanto se vive a loucura da vida hi-tech no dia-a-dia, com a nata da alta tecnologia como televisores, celulares, games e carros modernos, existe um outro Japão que parece ter parado no tempo.

É interessante ver o contraste entre a modernidade, que insiste em invadir todos os lugares, e a cultura e a tradição, que insistem em sobreviver em meio a tudo isso.

As vezes andando no meio de uma metrópole, deparamos com um templo budista, incrustado em meio aos prédios, totalmente deslocado em meio a paisagem moderna. Assim como vemos monges budistas com o mesmo tipo de roupa usado durante séculos, coisa muito fácil de se perceber pelos desenhos antigos em que aparecem.

Assim como não é raro ver pelas ruas de vez em quando, mulheres trajando “kimonos”, que são roupas de um estilo que vem de vários séculos. São roupas usadas em ocasiões especiais, como casamentos, formaturas e tudo o que seja necessário usar uma roupa de “gala”.

Assim como até hoje, apesar da cultura ocidental estar invadindo o Japão, ainda se usa o tão antigo “tatami” nas casas, com portas de correr feitas de papel, e ainda se usam “futons” para dormir, e “zabutons” para se sentar, mesmo depois de se passar mais de um século desde a queda dos samurais, ainda se usam as mesmas coisas que eram usadas naquela época.

Esse equilíbrio entre o moderno e o tradicional, é que eu considero umas das coisas impressionantes no Japão. O fato de um povo guardar e se orgulhar de sua cultura, o que eles simplesmente chamam de “Wa no kokoro”, que pode ser traduzido como “o coração japonês”, algo que dizem, todo japonês tem dentro de si.

chado

Cerimônia do chá